Segunda-feira, Junho 30, 2003

Ufa, já estava a ficar preocupado com as ausências!!! 

Machiavelli e Robespierre.
Sejam bem-vindos, que a casa estava vazia sem vocês (leia-se literalmente). Então? Como têm passado? tudo bem lá pelo vosso burgo?
Tá bem! É bom ouvir de vocês. Então a gente lá se encontra loguinho, pode ser? para bebermos aquela cerveja e fumar umas, como deve de ser...
Beijos e abraços

Richelieu, Cardeal
|

Terça-feira, Junho 24, 2003

Afinal estava enganado!!! 

Sou um mero estreante nestas andanças. Tive a sorte de apanhar o ar respirável da blogosfera antes do José Manuel Fernandes a comentar, ou o Pedro Roll-on Duarte (agradeço o resumo onomático da personalidade do editor do Dna ao Desejo Casar) nela desancar.
Cheguei a este "projecto" um pouco depois dos dois principais mentores o terem iniciado, mas o entusiasmo com que abordei este "relaxe" diário foi idêntico ao deles. Só que um deles está de férias e o outro dedica mais atenção a outro blogue.
Confesso que estava habituado a um pouco mais de feed-back (retorno de comunicação, para os mais puristas). Isto de a gente escrever coisas sérias num sítio que queremos livremente que seja público é-me bastante constrangedor, eu que vigio perpetuamente a redoma que me livra de constantes medos de ataque (embora nunca dos ataques propriamente ditos).
Tenho dado uma volta por essa esfera de blogues e constato termos como "umbiguismo" (que eu suponho querer significar narcisismo), escrita jocosa "à caderno 3 do Indy" (que saudades, correr para a banca à espera do Independente, numa altura em que Paulo Portas só conhecia a Feira de São Bento, ali pela Avenida D. Carlos I), confrontos de esquerda e de direita (isso ainda existe? pensava que tinha sido o FC Porto a ganhar o campeonato). Não os compreendo. O que querem eles significar? pretendem os utilizadores da blogosfera transpôr para aqui o mundo real? trazer o afã de pacotilha com que todos temos de defender as ideias, lá fora, nessa sociedade canibal? não percebo. Mas eu estava enganado. E como me sinto livre, num estágio de liberdade que eu sei pertencer só a alguns, vou persistir no erro, borrifando-me para as coordenadas do evolucionismo, onde me é garantido que a distinção entre homens e animais reside no pormenor do primeiro nunca cometer duas vezes o mesmo erro. CARPE DIEM blogómanos.

Richelieu, Cardeal
|

Segunda-feira, Junho 23, 2003

Robespierre tem razão quando assesta baterias contra movimentos pueris como o dos Amigos de Olivença. É preciso estar demasiado enterrado na lama histórica com que nos têm vindo a afogar para considerar que Olivença deveria retomar um sentido patriótico luso. Para lá de enfermo de dogmatismo patrioteiro, o movimento Amigos de Olivença sofre também de anacronismo, no sentido em que os tempos que vivemos são de individualismo (não me macem com a história do Boaventura Sousa Santos e dos movimentos sociais, senão torno-me Abrupto).
O que eu acho que deve ser realmente criado é o Movimento de Apoio ao Burmester, agora que o rapazinho de dedos delgados e esguios está na mira do que de melhor se faz de política em Portugal: o enxovalho, a falta de tolerância, o basismo por formação, a cagança patética, o provincianismo que ainda guarda em cabides, dentro do armário, o esqueleto de Salazar e restante prole. Bastou-lhe criticar os gestores do projecto pelo qual ele dá a cara (e credibiliza) e logo veio a terreiro a catilinária social-democrata, clamando "aqui D'el Ministro".
E não bastou reagir às críticas de Burmester desta forma. Logo, o aparelho partidário aproveitou para afiar as facas e brami-las contra quem, nem que ao de leve, apoiasse o programador e as suas críticas. Daí este movimento. Que não teria os propósitos mais óbvios que possam pensar, não. A ideia é a de ajudar Burmester a dar o salto, a fugir deste país, quiçá po-lo a viver em Olivença, mas longe daqui. Assim, continuariam os senhores do Porto, quais pequenos Pintos da Costa, a comandar orgulhosamente o naufrágio dessa caravela, de velas de granito.
Faz isso, pedrinho, livra-te deles, antes que te esqueças de como tocar piano.

Richelieu, Cardeal
|

Sexta-feira, Junho 20, 2003

Caro Robespierre, achas que calor é razão suficiente para abandonar este lindo país onde vivemos? tás doido ou quê?
Cá para mim foste para Itália tentar ver o filho do Khadafi jogar no Perugia, ou então foste a França, acompanhar o escândalo sexual em Toulouse, que também envolve políticos (será condição sine qua non à profissão de político ter pila insaciável?), quiçá já cansado da novela Casa Pia.
Não nos abandones, Robie (este diminutivo é só para ser utilizado por mim e por Machiavelli, de forma que nunca ninguém detecte o gajo de brincos) tu que és o melhor recrutador de papalvos com disposição a patrocinar a destilação da nossa verrina.

Richelieu, Cardeal
|
Robespierre vai de férias.
Aproveitando os primeiros pagamentos da Siemens e da Vodafone, devo anunciar que vou meter umas curtas férias. Está muito calor e já estive três dias seguidos a escrever. Estampei mais de cinco mil caracteres. É justo que descanse. Que não se preocupem os anunciantes quanto ao funcionamento do blog. As prestações do ruivo e do gajo com brinquinhos irão assegurar uma postagem regular aqui no Maus Fígados. Quanto aos leitores, até breve: irei pensar em vós quando mergulhar no Golfo Pérsico.

Richelieu, Maquiavel, até já, let out the blues for everyone!
|

Quinta-feira, Junho 19, 2003

Inimigos de Olivença.
Se há ódio de estimação que os Maus Fígados prometem cultivar é aquele que se destina à inacreditável associação «Amigos de Olivença». Dizem estes desgraçados que Olivença é «nossa», que nos foi roubada ilegitimamente e que, no fundo, se mantém refém das manobras imperiais de Castela. Tenham juízo nessa cabeça. Olivença é uma terra próspera, saudável e, acima de tudo, orgulhosamente espanhola. É uma região com sorte. A bom tempo foi removida deste pardieiro a que chamamos País. Não deseja a nossa administração vender outras províncias nestes tempos de crise? Despachavam-se já as beiras e os beirões, criava-se a Baixa Galiza até Viana, desmarcava-se o Porto para os produtores Ingleses de vinho, leiloava-se o Algarve entre alemães e italianos, dava-se de uma vez por todas as Lajes aos americanos e ainda se poderiam vender novos territórios para a construção de bases. Para quem lamenta a nossa pouca participação em termos da NATO, haveria agora a possibilidade de assinar contratos chorudos com o Pentágono e assistir ao crescimento exponencial da nossa posição estratégica. Era semeá-las pelo Alentejo e por Trás-os-montes. Depois sobrava Lisboa, acotovelada de turistas e com o seu «esplendor resignado de monumento morto». Think about it.
|

Quarta-feira, Junho 18, 2003

Direito à Indignação.

(..) Arrependo-me do dia em que estupidamente aceitei negociar com escroques da vossa espécie. Acreditava eu, ingenuamente, que lidava com indivíduos irreverentes, jovens, criativos, talvez algo imprevisíveis, mas ainda assim pensei estar diante de pessoas dignas e civilizadas. Enganei-me redondamente, confesso. A vossa laia é miserável e os termos chocarreiros com que se me dirigem são absolutamente inaceitáveis. Desde já vos anuncio o corte unilateral do contrato que tão desprestigiosamente vincula a nossa empresa ao vosso inqualificável projecto. Além disso, farei encaminhar um processo por difamação e atentado à honra para as instâncias competentes. Muito em breve, poderão observar de novo o meu fato coçado e contemplar a minha carcaça sorridente. (Hélder Fernandes)

Caríssimo Doutor Fernandes,

Há mais gasolineiras que administradores. Desde que a primeira tranche aqui chegue intacta, garanto-lhe que não voltaremos a mencionar a sua ilustre pessoa nem a prestigiante empresa a que preside. Recebermos dinheiro da Shell ,ou da Cepsa ,ou da BP é-nos absolutamente indiferente. Lamento a sua falta de poder de encaixe e o péssimo gosto a comprar perfumes. Se há memória que conservo do nosso pequeno encontro, é a do autêntico nó que tive que dar ao nariz. Que tal um Vetiver?

Quanto ao processo que anuncia, desagra-me a ideia de voltar a vê-lo. É só.

Cordialmente,

Robespierre
|
Também eu trago novidades fresquinhas. Mal a sociedade civil soube que eu estava a prospectar o mercado em busca de apoios (sobretudo financeiros pois a moral está toda do nosso lado), logo me caiu ao telefone uma chusma de tubarões da alta-finança. As regras de boa-etiqueta mandam atender as intenções por ordem de chegada.
Daí que seja com muito desprazer que anuncio a entrada da Portugal Telecom no rol privado e selectíssimo de sponsor's do Maus Fígados. Foi um Miguel Horta e Costa afogueado que eu atendi ao telefone. Após várias insistências, lá acedi a encontrar-me para negociar o guito. Confesso que me assustei quando o vi, lá pela Avenida da República num dia de sol. Nunca percebi a escolha do Galetto como ponto de encontro, mas ver aquele gestor de topo com o seu habitual moreno solarium perfeitamente esmaecido deixou-me ainda mais constrangido. Horta e Costa portou-se comigo como sempre faz e como se não porta com mais ninguém: extremamente falador (sem que isso signifique eloquência); vivaz nos gestos (sem que isso revele contundência), e uma insistência nos propósitos digna de um marroquino sem mercadoria para vender.
Agradeceu-me bastante o tempo dispensado e até me revelou, que eu aqui também vos revelo, que a urgência deste negócio vinha para tentar salvar a PT de um erro estratégico cometido pelo Conselho de Administração, que não sabe o que fazer ao dinheiro. É que a PT tentou vender David Beckham ao Alverca (seria para colmatar a saída de Deco?) porque o jogador inglês estava prometido pelo novo dirigente do Barcelona FC, o Laporta, como trunfo eleitoral. Mas qual é o problema de usar o Beckham, ou até o Barroso do Braga, como trunfo eleitoral, perguntei eu, na minha centenária ignorância. Horta e Costa logo concordou, que nada de mal vinha ao mundo com tal promessa, mas o problema é que um dos assessores do Conselho de Administração confundiu o Laporta com o Paulo Portas, pondo toda a gente em polvorosa no Edifício do Fórum Picoas. As demarches para obter o assentimento de Beckham para lixar o Portas catalão foram tais que até um Vodafone lhe ofereceram!
Já agora, por que não TMN?, perguntei. Horta e Costa confidenciou-me que não há rede da TMN em Alverca (pediu-me até para guardar segredo do facto de Alverca nem sequer existir relamente) e que por isso tinha de ser Vodafone. Pelos vistos, quando constataram o erro de estratégia provocado pela confusão de nomes, Miguel Horta e Costa berrou o meu nome na sala de reuniões e todos anuíram de imediato: é Richelieu quem nos vai salvar.
É assim meus amigos, moral da história: não pagamos telefone, não vamos a Alverca e agora temos um gajo a colaborar que escreve muito bem com pés. Ó vida vaidosa, vai-te embora...

Richelieu, Cardeal
|
Vê lá se controlas a pontuação, pelo menos. E não dês erros infantis. Contrata-se já um cigano, caraças!
|

Terça-feira, Junho 17, 2003

Recebemos também um email de um blog a felicitar-nos pela existência. Ide já badamerda.
É melhor, no bem da vossa saúde, pararem, nós não gostamos de blogs e seus pindéricos parolos a traulitar. é muito fácil ter piada com um teclado e uma ridicula vida provinciana portuguesa, a citar livros, apôr fotografias, poemas e posters de filmes. A dar pancadinhas nas costas de outros cegos idiotas, a ilogiar coxos e pernetas só porque podem falar de nós.
Nós aqui, népia, é falarem de nós é tarem a apanhar rapidamente na cara.
machiavelli
|
Recebemos a primeira mensagem de uma leitora chamada Clara Pinto Correia. Diz a Clara que o nosso projecto não tem futuro e que, muito em breve, teremos tantos inimigos que nem num Ciber estaremos salvos. Em primeiro lugar, devo dizer que gostamos da Clara. É uma plagiadora magnífica, que durante muito tempo conseguiu enganar tudo e todos. No fundo, seguia a «lei do menor esforço» que, no seu caso específico, se traduzia pelo nobre pensamento de «para quê estar a investigar, falar com as pessoas, gastar dinheiro em chamadas, se posso perfeitamente espreitar uns jornais estrangeiros e sacar os textos de uns patetas que nenhum dos analfabroncos cá da terra alguma vez irá ler». A ideia é louvável e funcionou mais do que se imagina. Funciona ainda para muitos, que diariamente infectam os nossos jornais. Mas, tristemente, acabou. Tiraram-lhe a peruca e a careca não era lá muito vistosa. Foi azar. Agora a Clara que não venha ressabiar para cima de nós. É óbvio que o projecto tem futuro, e mesmo que não tivesse, já compensaram estes primeiros dias em que recebemos mais do que ela nos últimos meses. E nem tem a ver com o facto de estar desempregada. Quanto aos inimigos, venham eles. Os guarda-costas também fizeram um belo encaixe.
|
Acabam de nos explicar que se trata de um tipo sem pejo. Pois, imagino que tenha um humor contagiante e se farte de dizer palavrões. Hahahaha. Já me estou a rir. Vê-se logo que não perceberam nada. Foi o senhor da Shell que decidiu? Não me admirava que aquela carcaça sorridente, de fato coçado e colónia de pêssegos, que nos achou imensa piada quando lhe apresentamos o projecto, fosse o autor da ignomínia. Caro Doutor Fernandes, com todo o respeito pelo seu dinheiro, se quer circo contrate o pipi. Nós não somos os seus palhaços.
|
Os nossos salários foram aumentados desde que passamos a constar da Blogs Em PT. A única má notícia é que nos impingiram um novo colaborador. Dizem os técnicos que ajuda a aumentar o caos. Imbecis! Isto não é nenhum casting. Não é preciso um preto, um ruivo e um maricas para compôr o ramalhete. Com esta mania de serem divertidos e agradarem a vários nichos de mercado, desvirtuam completamente o nosso projecto. Nós gostamos de gestores, mas a ideia é nojenta. Só espero que o meteco não invente. Se se pôe com merdas vai recambiado. Ou então os fundadores do Blog demitem-se. Fica o aviso.
|

Segunda-feira, Junho 16, 2003

A empresa GlaxoWelcome desejava anunciar aqui no blog. Escreveram: (...) acordo vantajoso para ambas as partes (...) carácter inovador do vosso blog (...) encontro para combinar tarifas e aferir das coberturas (...) projecto aliciante (...) vantagem competitiva (...) benefícios especiais (...) e blá, blá, blá, blá, naquele discurso interminável e caquético, de inúteis que andaram a ler manuais de Marketing e a «picar» termos estrangeiros. Normalmente até apreciamos essa idiotia. Mas recusamos prontamente o convite. Porquê? Porque a GlaxoWelcome vende coisas para asmáticos e doentes da bexiga. Não queremos aqui asmáticos nem doentes da bexiga. Não queremos gente que toma comprimidos. Não queremos a indústria farmacêutica associada ao nosso «projecto aliciante». Ide chatear outros. Aqui não entram enfermos nem combalidos. Xô!
|
Uma chá no deserto.Martins da Cruz, o nosso actual MNE, é um dos políticos de que gostamos. Bafiento, com roupa cara e terceiro queixo. Fala com pevides na boca e tem a arrogância provinciana que tanto prezamos. Cobarde, sem opiniões, sempre na carroça que mais convém. Agora foi até ao deserto, privar com os bárbaros. Levou um postal do PM. Espalhou a flatulência do actual governo numa tenda de berberes. Não aceitou cus cus nem tapioca. Não tentou mostrar-se encantado com a cultura local. Foi diplomático, sereno, insultando-os baixinho. Desprezou aquela raça. Comeu de graça e veio embora. Um grande bem haja dos Maus Fígados!
|
Para que conheçam um pouco do Blog mais bem pago da net, decidimos utilizar o esquema desse inenarrável suplemento que é o DNA: aquela história do gosto não gosto.
Os tópicos vão sendo actualizados sempre que nos lembrarmos de mais algum gosto ou desgosto. Mas a linha de apresentação vai por aqui.

Não gostamos de blogs, nem da blogosfera, nem dos seus frequentadores. Não gostamos de tecnologia nem de telemóveis. Gostamos de vírus, falhas no sistema, avarias dispendiosas. Não gostamos dos textos que aqui se escrevem. Não gostamos dos temas aqui tratados. Não gostamos da felicidade pindérica de quem acha que sabe escrever. Não gostamos das figuras públicas que para aí andam, nem dos anónimos patetas que os seguem. Gostamos de nomes falsos, de identidades clandestinas, de conspirações sem rosto. Não gostamos de conservadores nem de socialistas. Detestamos liberais e membros do bloco de esquerda. Gostamos de seguidistas, oportunistas e arrivistas. Gostamos de queques. Quanto mais queques mais gostamos deles. Gostamos de políticos bem vestidos e com perfumes caros. Gostamos de marcas. Quanto mais caras melhor. Não gostamos de sindicalistas nem de operários. Não gostamos de ecologistas. Não gostamos de hippies, nem de freaks, nem de poetas. Não gostamos de artistas: especialmente arquitectos, pintores, instaladores, idiotas e maricões. Gostamos de arte sacra. Gostamos do Vaticano e da Guarda Suiça. Mas não gostamos do papa. Só do espólio do seu estado. Gostamos de empregados bancários, de contabilistas, de gente das finanças. Gostamos de pessoas que repetem rotinas. Gostamos de gente apática, chata, desinteressante. Não gostamos de espirituosos, de anedotas, nem de escatologias. Não gostamos de palavrões (só em último recurso e a contragosto). Gostamos de gente que não complica. Gostamos de centros comerciais e da prosperidade do lixo. Gostamos de hamburgueres, cachorros, fatias de pizza. Gostamos de colestrol. Gostamos de gastar dinheiro. Não gostamos de pobres, nem de ricos que não gostam de gastar. Detestamos a classe média. Detestamos os que leêm sem ser no Verão. Detestamos espertos e gente que escreve para os jornais. Gostamos da inveja. Gostamos dos portugueses. Gostamos de imigrantes, sobretudo os que só falam em francês. Gostamos das casas deles e dos cães de cerâmica que estão à porta. Gostamos de coisas caras e sem utilidade. Gostamos de publicidade. Gostamos de ter 77 canais de televisão. Não gostamos de gente esforçada, empreendedora, ganhadora, que se acha investida de qualquer missão. Gostamos de desastrados, de preguiçosos, de gente ressabiada. Gostamos de maus perdedores, de prostitutas velhas e dos dealers que estão presos. Não gostamos de clubes de strip, nem de pornografia, odiamos Amsterdão. Gostamos de cidades industriais e de coisas como o 'Portugal dos Pequeninos'. Gostamos da feira popular. Gostamos de pipocas e barbas de velho. Gostamos de cores garridas e de crianças a chorar. Gostamos de famílias grandes e carrinhas cheias. Não gostamos da praia nem dos fins de semana no campo. Não gostamos do ar livre nem do desporto. Não gostamos de ter muita saúde. Temos um ódio especial a piscinas e health clubs. Mas gostamos de fatos de treino e calções de lycra. Gostamos de sapatilhas (quem não gosta?). Não gostamos de bailes nem de velhotes simpáticos. Não gostamos de filhos orgulhosos. Não gostamos de pais babados. Não gostamos de revoltados, de adolescentes que fogem de casa. Não gostamos de gente que tem sempre histórias para contar. Gostamos de pessoas caladas, tímidas, envergonhadas. Mas também gostamos de histriónicos, cravas, e gente sem sentido de conveniência. Gostamos de arrumadores. Gostamos de dizer «dou quando voltar». Gostamos de polícias e de tribunais. Gostamos de processos, de mandatos de captura, de ordens judiciais. Não gostamos de imigrantes ilegais, de produtos ilícitos, de libertinagem urbana. Gostamos do trânsito, das placas e dos sinais. Não gostamos de condutores espertos nem de motociclos. Não gostamos de música dentro dos veículos, aliás, nem fora deles. Não gostamos de música, nem de assobios, nem de gente que gosta de se ouvir. Não gostamos de discotecas, nem de espaços de lazer onde toda a gente se ri . Mas gostamos de bares bem frequentados, com gente que mede os gestos e se cumprimenta com deferência. Admiramos os estatutos sociais. Gostamos da civilização. Não gostamos de terroristas selectivos. De povos revoltados e sem dignidade. Gostamos de sociedades barbeadas e gastadoras. Gostamos da política dos EUA. Gostamos de Wall Street. Mas não gostamos de yuppies nem de cocaína. Preferimos aqueles que nunca se destacam, que nunca vão longe, mas que têm dinheiro e princípios. Detestamos a falta de princípios. Mas também detestamos aqueles que pensam que os têm só por os referirem. Finalmente, não gostamos particularmente um do outro, nem contamos partilhar este espaço, que detestamos, durante muito mais tempo. Faz-nos impressão aqueles que cá vêm. Mas gostamos dos nossos sponsors, evidentemente. Obrigado!
|

Domingo, Junho 15, 2003

Hihihih
|
HeheHe
|

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com