Terça-feira, Julho 29, 2003

Clarividência Ferreira Alves 

O bicho escala estantes escreveu Domingo:

Encontros famosos com escritores - Clara Ferreira Alves
Foi numa terça-feira que esta senhora entrou na livraria e se pôs a olhar para as estantes. Reconheci-a como a autora das crónicas da Revista do Expresso. Reconhecia-a como a autora de um dos flops editoriais de 2001. A senhora continuava a olhar e parecia desorientada. Como é normal, se se tem tempo para isso, fui ter com ela e perguntei-lhe se precisava de ajuda. Disse-me que queria 'O Processo', do Kafka, na edição Livros do Brasil. Peguei na escada, o Kafka está muito alto, e dei-lhe para a mão essa edição. Depois, sem descer, disse-lhe ainda que tínhamos também as edições da Assirio, da Guimarães e da Europa América. Ela disse, meio atordoada, que, afinal, era a edição da Assirio que procurava. Pagou, sempre com uma misteriosa cara fechada e saíu.
No sábado a seguir, na Revista do Expresso, vinha uma crónica acerca do Carlos Cruz, tentando analogias, que me pareceram fracas, com o Processo. Senti-me algures no meio daquelas letras, mas não percebi muito bem onde.De resto, será concerteza o mais próximo que estarei em toda a minha vidinha, de aparecer nas páginas do Expresso, decadente expresso.
Posted by: Vincent Bengelsdorf / 9:57 PM


Vincent, quando se fartar do seu óptimo blog e de ser tão bom na blogada tem aqui um poiso para o mal dizer. Chissa, qué bom o gajo...

Machiavelli
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Melífluo 

Hoje falei com um tipo alto, gordo, funcionário publico (ex-porteiro, professor de Tan Chi Gwan e segurança pessoal). Declarou-se um tipo simpático, pacífico, honrado; amante de gatos e literatura. Tinha opiniões sobre política. Um tom cordato; e um aviso: «Mas houve uma vez, pá (...) peguei na cabeça dele e no meu joelho (...) Foi a parede toda, caralho (...) e quase perdi um olho».
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Segunda-feira, Julho 28, 2003

Curiosa Patologia 

Este, este e este já menos acordam de manhã e vêm direitinhos para a net dizer que são «conservadores» (às vezes carregam um saco inteiro de explicações, outras é porque sim: «eu, como 'conservador'; a minha posição, de 'conservador'; toda a gente sabe que sou 'conservador'»).
Valha-nos deus! O Machiavelli, ad esempio, gosta do Mondrian e não vem para aqui pregar todos os dias: «Sou neoplasticista! Toda a gente sabe que sou neoplasticista! Eu, como neoplasticista...»
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Espesso e Neutral 

Na excelsa crítica literária da revista Actual (acoplada ao jornal Expresso) é possível ler, na sua última edição, uma prosa de incenso ao poeta José Guardado Moreira, autor do livro «Antes do Mundo». O encómio é oferecido por Ernesto Rodrigues, que o declara «Vibrátil e Luminoso», um «poeta breve e intenso, a exigir outra atenção». Porquê? Porque «esta estrutura, de longínqua alusão popular (...), forma uma rosto mental - adjectivo estratégico - a caminho do Fiat Lux: entre sinais de pretérito, da duração do gerúndio, enumerações e descritivo, imperativos de aviso, o que se modula é o universo da luz saturado em fogo, brilho, clarão, reflexo, (...), celeste, sideral, boreal, etc.(...) Cada um destes vocábulos é título e concentração, num regime de trama ou núcleo interno muito antigo; analogamente, a mancha única converge na explosiva unidade solar; convém leitura de um trago, e novos recitativos, pois tudo é 'Vibrátil e Luminoso'». Para Ernesto Rodrigues, esta é a «surpresa lírica do ano».

Consome-se este magnífico texto (para quando o seu próprio livrinho, caro Ernesto?), espreita-se as estrelas, em meditação gerúndica; e, refeitos do impacto, vira-se a página. É a «surpresa lírica do ano». Uma coincidência cósmica! Quem escreve sobre a autora russa Nina Berbérova, na página imediatamente ao lado? Pasme-se: o poeta José Guardado Moreira, autor do livro «Antes do Mundo».

Não querem trocar de papéis, para a próxima semana?

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O Senhor Esteves Baboso 

Quando pensamos aqui no concílio em Miguel Esteves Cardoso, coisa diária, não conseguimos parar de rir convulsivamente. É coisa que nos faz mal e até estraga o estanho da maldade. É que não conseguimos resistir a unir o nome do Babão à palavra Nobel. O Cardeal até largou borra nas calças de tanto rir.
Miguelito, foste referência no indy (hoje mais bosta que crosta), na K (boa memória) e no início da pastilha.
Vê lá isto é da crítica aos projectos, como no DNa de sábado, também nos rimos muito do teu amigo PaRolo Duarte. Como escritor és uma nódoazeca mediana. Miguel Estreves Baboso, nobel da literatura (Ahhh Ehhhhh, IHHHHHHHH AAAAHHHHH).

Machiavelli
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Domingo, Julho 27, 2003

Beijinhos Doces 

Agora que o nefando Machiavelli tirou o gesso e já se pode sentar, o trio de Herodes está finalmente em condições de disparar (sim, este tipo de rima será também alvo de obuses). A partir da próxima semana, nem os civis serão poupados. E não haverá quartéis nem convenções. A partir da próxima semana, as «armas» estão à solta. Bom fim de semana, palermas.
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Sábado, Julho 26, 2003

O Animal Politico 

Ferrinhos Rodrigues sempre nos pareceu visualmente um perfeito animal. Agora confirma a sua potente verve politica, essoutra vertente da sua animália parecença.
Aconselhamos todos os remadores deste PS a saltarem do barco enquanto é tempo. Amigos, sexo com crianças não é uma coisa bonita no curriculum, apesar da animação que terão sido as supostas festas e reuniões. Um verdadeiro Curral, arraial com Ferrinhos e guarda Costa...

Machiavelli
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O Desejo de Cagar na cúpula 

Estes noivecos tendem para a poesia e o anal. Agora, quando se põem a mandar farpas na cultura portuguesa é que, convenhamos, tenham lá juízo para continuar, gostamos da bílis. Elejam já este Bernardo a padrinho. Apoiamos, o Poio do resto do blog tem é muita varejeira, como toda a real bosta.

Machiavelli
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As rotundas e o engano 

É um erro comparar o fenómeno de alimentar um blog com o fenómeno de escrever um diário.
Por mais paralelos que se encontrem (a escrita, o desabafo, a alternância de registo) a questão do tempo e da imediatidade marca uma diferença abismal.
E esta é uma diferença aparentemente só perceptível por uma geração mais nova, profissional deste éter contemporâneo da reacção imediata (o outro lado, de quem vê e lê, agora).
Paradoxalmente esta comparação juvenil, é deixada para os mais seduzidos (e crescidos). A tecnologia é sempre um fetiche na mão dos senhores, oferece um vislumbre de eternidade. Residência oficial do umbigo da questão. Alguns que tentam ser as Rotundas de S. Ovídeo da Blogonarça, Paxeco Preira e outros palhacitos.

Machiavelli

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Sexta-feira, Julho 25, 2003

Ponto 1 

early morning blogs

Blogar cansa menos. Marte.
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Apoiamos 

As escutas telefónicas e todo o tipo de devassas à privacidade. Com ou sem justificação. A figuras públicas ou anónimos. Em férias ou no trabalho. Ao telemóvel ou ao fixo. Antes ou depois de serem suspeitos. Apoiamos. Sem reservas. Plenamente.
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Problemas de Vibração 

O «vibrante» Richelieu anda com problemas de acesso ao Yahoo!. Então não se atendem os clientes, ó sumidade? Depois queixe-se das disparidades nos vencimentos.
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Uma Revolução a Menos 

São Tomé e Príncipe foi palco de um «golpe de estado»; deu azo a umas quantas páginas nos jornais portugueses; e agora tudo acabou - ou seja, o país volta ao baú da inexistência. O mal destas ilhas é a sua herança. Falassem eles francês, flamengo ou inglês e haveria manchetes todo o Verão. Assim, é mais uma vigarice de 5000 caracteres.
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Quinta-feira, Julho 24, 2003

E prontos.... tá corrigido! 


Invejável blogosfera e respectiva internet que lhe dá esteio. Como eu gostaria que minha vida pudesse ser assim, tão virtual quanto este «mundo» onde blogamos: por qualquer engano cometido a nível das decisões pessoais ou profissionais, só teria que voltar atrás e com um mísero clicar de rato desfazer todas as imprudências que venho cometendo ao longo da minha centenária vida... um bem-hajas Robespierre, e ainda bem que foste à farmácia...

Richelieu, Cardeal
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Quarta-feira, Julho 23, 2003

Um presidente com Faro 


O Maus Fígados deixa aqui um apelo de alvíssaras a José Vitorino, o desconhecido (dos nossos leitores) autarca do concelho de Faro. Este homem deve ter só política a correr-lhe nas veias, tal a visão comunitária que revelou a próposito da concentração desses javardos ignotos, mal barbeados e de sovacos fungíferos, inapropriadamente apelidados de motards. Não é que este filho da democracia (não pela idade e sim pela veemência demonstrada) vem a terreiro perorar contra as autoridades dizendo-se «traído e apunhalado pelas costas», tudo porque as mesmas autoridades não avisaram a organização da dita concentração do sistema repressivo que iriam aplicar durante os quatro dias de festas?. Embora os polícias não tenham feito mais do que está estipulado na lei, tem toda a razão, amigo Vitorino (não confundam, por favor, não nos estamos a referir áquele minorca que nos corredores da UE toda a gente atira para os altos cargos de liderança só porque é levezinho). Continue assim, camarada Vitorino. Aqui o Maus Fígados até já está a preparar um dossier para entregar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Sim, porque toda a gente sabe que é uma afronta para qualquer Algarvio (esse remoto povo moçárabe que aqui assentou arraiais) ter polícias portugueses a vigiar os seus passos, as suas concentrações, os seus turistas, os seus traficantes, as suas praias de naturistas. Claro que os cidadãos sabem que a lei é cega, mas todos sabem também que no Algarve ela vai sempre de óculos escuros.

Um abraço algarvio para José Vitorino, o novo ícone da Democracia

Richelieu, Cardeal
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Terça-feira, Julho 22, 2003

Breve Nota de Esclarecimento 

Pouco depois de ter colocado o último post (esse aí, exactamente abaixo), recebi dois telefonemas de gente exaltada a perguntar-me se, de alguma maneira, eu concordava com o terrorismo e actividades quejandas. Respondi-lhes o que já aqui havia escrito uma vez, se bem me recordo: o Maus Fígados abomina todo o tipo de terroristas amadores e organizações foleiras que se escondem em grutas. São horrorosos, mal vestidos e cobardes. O Maus Fígados aprecia, isso sim, o verdadeiro terrorismo - aquele de gravata, de gabinete, de despacho - ou seja, o Maus Fígados aplaude e vibra com o «Terrorismo de Estado».

P.S. Peço que não nos voltem a maçar com esse tipo de questões.
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Bomba em Benidorm

A ETA voltou a interromper as férias de hoolingans, tiffosi e outros degenerados que tais. A ETA podia seleccionar melhor e atacar em pontos de vipalhada internacional, como Lloret del Mar ou Cadaqués. Assim continua inútil, a atirar fogachos uma vez por ano e a adiar as esperanças do povo basco.
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Sexta-feira, Julho 18, 2003

Obrigado, Ivan Nunes 


Temos que agradecer a elogiosa referência que Ivan Nunes faz aqui ao nosso Maus Fígados. É com muito prazer que vemos uma pena tão delicada, decadente, saudosista, umbiguista e frustrada dedicar, nem que brevemente, uma menção aos esforços que eu, Robespierre e Machiavelli aqui temos desenvolvido. Para satisfação do nosso ego, sugiro que dirigam a vossa atenção para o post de 15 de Julho, intitulado "Elogio do Magalhães". Ao contrário do que se possa pensar, não se trata de um Magalhães socialista, ou de um Magalhães marujo e histórico, o tema central do texto de Ivan (estamos a pensar contratar o marujo para o Maus Fígados, mas receamos que não disponha da verrina suficiente). De quem se fala então? É do Pedro Magalhães, ideólogo do Centro de Sondagens da Católica, investigador no ICS (instituto de ciências sociais do ISCTE), quem aliás deve ser o mais à direita que lá se pode encontrar. Só o facto de nos mencionarem, deixa-nos com frémitos para outras coisas
Mas a referência a esta nossa actividade pode parecer ambígua, já que Ivan descreve Magalhães desta forma: "Com a política o Magalhães é um cínico, mas o cinismo para ele é uma coisa séria, não uma questão de "maus fígados"". Caro Ivan, saiba que para nós também o cinismo é encarado de forma seríssima. Apesar disso, nunca conseguimos, até agora, destrinçar maus fígados do cinismo encarado de forma séria. Explique-se.

Atento atencioso

Richelieu, Cardeal
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Quarta-feira, Julho 16, 2003

upssss! 


Sorry! wrong blog! You are about to be expeled from this area, just because you steped the thin red line of blogging write tecnics.
This post will attack you within five (5) minutes. Beware.
Thank You

Richelieu, Cardeal
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Segunda-feira, Julho 14, 2003

O Orgão Onanista 

Na vivenda ao lado da minha, morava um casal pacato com duas crianças silenciosas. Não tinham cão, gostavam de bicicletas, conviviam pouco. Se me viam, acenavam respeitosamente a cabeça e seguiam caminho, sem uma palavra. Nunca vieram pedir nada, nem dar-se a conhecer. Gostava deles. Era um casal simpático. Agora, imigraram para o Alentejo. Soube que não gostavam da cidade. Preferiam as falésias e o recato dos meses de Inverno. É pena. Em substituição, apareceu um tipo solteiro com mais de 40 anos. Também não fala, o que é bom. Entra e sai de casa, esconde-se lá dentro, ninguém lhe conhece a ocupação. Mas eu desconfio: é um pianista frustrado. É um frustrado do caraças. Todas as noites, e ao fim da tarde, começa a gemer um velho orgão. Melodias tristes, desfiguradas, decadentes. E altíssimas. O pianista frustrado toca altíssimo. E mal. E depois, às vezes, parece acompanhar a pessegada com uma ladainha chorosa, interminável, esticando as cordas medonhas até se desvanecer em lágrimas. Palpita-me que não dura muito. Que planeia um fim. O problema é que o orgão (um velho Hammond, pelo que reconheço) é destituído de cordas metálicas, daquelas firmes e coesas, com que se enforcavam os pianistas no velho Oeste. Qualquer dia, sou acordado por um tiro ou por um berro, e é lamentável acordar assim.
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Aos poucos A Droga e a Borracheira 


Vejo o meu parceiro de posts a chegar a casa, vindo da farra, ou melhor, da iluminada troca de ideias que terá mantido com colegas históricos avulsos, permanentemente vigiado por uma garrafa de Super Bock. Lavados os dentes e bebido um copinho de leite para tornar os conceitos alvíssímos, vejo-o agarrado ao teclado, melancolicamente refreando os ímpetos agressivos que espartilham o seu peito. Como diz o povo: "Não lhe dês o peixe nem a cana, atira-o à água"

Richelieu, Cardeal
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Aos Poucos A Verdade 

«Não lhe dês o peixe nem a cana, obriga-o a vender»

in Cancioneiro Geral (os fragmentos roubados)
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Sonho Recorrente »[nova rubrica]« 

Acusaram-me hoje de ser contra a arte. «Por tua causa é que não se vende a arte». O sujeito que disse isto trazia: uma mala preta coçada a abrir-se dos lados; vários livros de filosofia escolar; um caderno amarelo rabiscado na capa; duas ou três canetas; um par de óculos; e, finalmente, a Arte. Tinha um livro de poemas, de sua autoria, de sua chancela, e desejava vender. 9 Euros. Disse-lhe que não tinha. Viu-me a entrar num bar, saído do Volvo, e disse-me. «Por tua causa é que não se vende a Arte». Olhei de perto o livro e notei gordura. Os seus dedos tinham gordura. O livro tinha gordura. Era tudo um nojo.


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Anatólia Dust 

O Maus Fígados já aqui afirmou o seu repúdio pelo consumo de drogas leves e pesadas. Destestamos drogados, nas suas mais diversas tonalidades e graduações. Detestamo-los. É sabido. Detestamos ainda muito mais aqueles que se especializam e chegam a fumar coisas como Karthoum Flower, Peshawar Light ou Kimaji Weed. Esses são detestáveis. Se pudesse dar uma caroçada num...
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Tira a Mão do Monopólio 

Preocupa-me este súbito interessse pelos blogs. Já se sabe que é mais falta de assunto que outra coisa - «Portugal, Terra de Blogs (vá também aos espigueiros)»; mas, mesmo assim, condói-me esta ideia de, a qualquer momento, podermos perder o monopólio das marcas de desporto.
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Claro que lhe dou a minha morada!!! 


Caro Robespierre, só a vontade de entrosar com o vasto público que nos lê amiúde é que pode estar a provocar esse seu inopinado acesso de pudor. É que todos os que me conhecem sabem da minha predisposição para entregar a morada da minha residência oficial a qualquer ignoto que, por alguma razão, me condoa o coração só por o ver, ali especado, de ar cabisbaixo. Ora se reajo assim por alguém que se encontra enfermo da alma e na auto-estima, imaginem como poderei reagir ante um espectador tão atento, mormente desconheça as suas intenções. Aliás, Robespierre, devo aqui revelar-te que o IP 901.567.456 - aquele que tantas dores de cabeça no provocou ao discutirmos o tema do Poder Local, embora a sua guerrilha verbal fosse assaz interessante -, pertence, sem margem para dúvidas, a Luís Filipe Menezes. Também ele se revelou um ferveroso leitor das nossas humildes, parcas até, considerações que aqui postámos. Claro que o levei para minha casa. É um Senhor este Menezes, embora me irrite a sua surdez quando desliga os aparelhos auditivos. Falámos de várias coisas; houve coito, claro; whiskei, a rodos, mas nunca imaginei que a minha sugestão de unir o Porto a Gaia pudesse colher tão favoravelmente. Essa medida tem a vantagem já enunciada no Gato Fedorento, que é a de ser sempre menos um autarca em Portugal.

Richelieu, Cardeal
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Domingo, Julho 13, 2003

O Leitor Mistério.

O Apesar das nossas actualizações serem cada vez mais esporádicas e foleiras - culpem o Maquiavel e o Cardeal, que são dois poços de sabedoria e literatura e não postam aqui merda nenhuma - apesar disso, não deixa de me espantar o lufa-lufa dos nossos leitores. Todos os dias, continuam a passar aqui centenas de pessoas que percorrem a página diversas vezes, pesquisam o arquivo, escrevem comentários, encharcam-nos o mail com perguntas e respostas, na maior parte das vezes com um teor absolutamente idiota. Já prevíamos este sucesso e já calculávamos que a frequência não fosse das melhores, mas o mais assombroso é este IP: o proprietário do 203.79.200 visita-nos cerca de 30 vezes por dia, lê e relê a porcaria que 'praqui se escreve e normalmente acaba com salamaleques corrosivos, contentando-se com o que diz. A mim não me faz diferença nenhuma, e no que diz respeito aos patrocínios só alimenta a ilusão e a mentira. Agora, eu sei lá que tipo de fantasias é que este idiota engendra. Desejará conhecer-nos? Falar connosco? Apanhar-nos num beco escuro? Eu ando preocupado, sinceramente. Isto não é normal. Não lhe queres dar a tua morada, ó Cardeal?
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Sábado, Julho 05, 2003

Estamos Disponíveis 

Para qualquer cargo na futura administração do Iraque. Gostamos de períodos conturbados de pós-guerra. De vilananias, venalidades e incompetências. Gostamos, sobretudo, de experiências. Somos criativos. Faremos figura a inventar modelos de sociedade e de representação cívica. Nada como um brainstorming para decidir o futuro de um país. Contactem-nos!
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Sexta-feira, Julho 04, 2003

Vai Dizimar Thechenos! 

O Camarada Estaline (que eu julgava morto e enterrado desde os anos 50), resolveu escrever-nos a reclamar um espaço próprio aqui no blog. Disse ele:

« (...) Quero associar-me a vós na denúncia de todas as derivas fascistas e neoconservadoras. Quero acompanhar-vos na cruzada contra as forças opressoras do capital e das novas tecnologias. Quero afirmar o meu repúdio pelas tentações hegemónicas do cronistas da direita. Quero juntar a minha voz à de todos aqueles que marcham rumo a um futuro sem soberanos, patrões, ou grilhetas corporativas. Quero escrever nos Maus Fígados, esse lençol de liberdade que agasalha os deserdados do Império Sionista (...).

Quero, Quero e Quero. Quero, Posso e Mando. Nem um «por favor», nem um «com licença», nem um «obrigado». Estaline quer. Mais nada. Quer escrever aqui e acha que os fundadores o aceitam só por ele ser o Estaline.
Caro Camarada, sabe bem quanto o estimamos e lhe reconhecemos virtude no tratamento dado a calmiques, bielo-russos, turcomanos, uzbeques, arménios, geórgios e cazaques. Assim como apreciamos as sucessivas purgas e os Kulak, e o extraordinário mérito em deportar soldados directamente das frentes para os parques de diversão na Sibéria. Também não esquecemos a sua maravilhosa inveja e aprumado rancor para com os generais Konev, Zukhov e todos aqueles que se destacaram no campo de batalha. Foi um acto bonito, descredibilizá-los e assacar-lhes responsabilidades pelos crimes morais do Exército Vermelho. Admiramos o seu currículo, Camarada, e obviamente que o tomamos como uma das principais referências deste projecto. Mas... e os rutenos? E os azerbeijos? E os polacos e os checos e os eslovacos, que agora vêm competir com o nosso País? E os ucranianos, anh? E os romenos, e os moldavos, e a ciganada toda de leste que agora para aí anda a chatear com os limpa vidros? E os chechenos, que não deixam ninguém ver um espectáculo? E os pogrom, porque é que não foram mais eficazes?

Vá lá rever isso, já que voltou da tumba, e mais tarde a gente fala, tovarich!

Robespierre

P.S. Não se esqueça de implorar no próximo mail.
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Obrigadinha, Robie 

já tava com saudades de ver a tua verve prá'qui vertida. Neste momento apenas posso deixar o agradecimento pela atenção que tu me dispensaste, Robespierre, mas tenho que ir subornar uns protestantes, de forma a poder comer "el culo" aos meus prezados católicos, (que por acaso se sentam no parlamento europeu perto desse monstro das novas ditaduras, o teu Silvio). Também tenho recebido muitas cartas a propósito do que aqui se tem escrito. Vou tentar dar resposta a todas elas. As encomendas serão processadas por ordem de chegada. Obrigado.
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Quinta-feira, Julho 03, 2003

E Não É Só O Richelieu 

Dou uma volta pelo que se escreve nos blogs de outras altezas, e confirmo uma vez mais o que sempre achei: Portugal é um país admirável - fala tudo do mesmo ao mesmo tempo com a mesma incontinência e estupidez. Da direita à esquerda, tudo a bater no grande Silvio. Mas a vozes de burro não chegam a Roma. Nem ao San Siro. Ide pastar, caraças!
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Berlusconi é dos Meus! 

O Richelieu deve andar com algum problema de medicamentação em atraso. Então essas coisas dizem-se do Berlusconi, ó camandro? Um homem que controla imprensa, televisões, telecomunicações, redes mafiosas, juízes, cineastas e até partidos separatistas como a Liga do Norte... O homem é um génio. Um crápula como já não há. Sempre com um sorriso cínico e fatos Don Corleone, a passear-se impante pelos destroços da justiça e do sistema judicial. Um fascista da melhor safra. E com um visco diplomático que envergonha qualquer Duce ou Rivera. Imagine-se um Hearst de camisa negra, com dotes parlamentares e sem medo de se assumir como tirano pós-moderno, e mesmo assim não se chega lá. Quem nos dera a sua amizade, e promover aqui algumas das marcas que lhe pagam as campanhas. Se me ouves ó Silvio, te voglio da morire!

Quanto a ti, Richelieu, vai já enfrascar uns Compensans.


Robespierre
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Terça-feira, Julho 01, 2003

"apertem os cintos de seguranca, a Italia acaba de sentar-se ao volante da Uniao Europeia" 

Diz Teresa de Sousa, do «Publico», que a anedota europaica com que somos mais brindados, particularmente hoje, e a seguinte: "apertem os cintos de seguranca, a Italia acaba de sentar-se ao volante da Uniao Europeia". De repente despertei deste sonho tao bom que estava a ter, no remanso do meu lar, e que ate ja permitia que eu fosse um dos que comecava a ter mais confianca perante esta crise, que se instalou como sarna no nosso quotidiano. Nao e que o cabrao do facho vai mesmo ter os destinos da Europa em suas maos? Sera que e mesmo desta que Israel vai ser tambem europaica? caspite! E quantas directivas vai ele conseguir mudar para, eventualmente (que eu acho que nao), beneficiar a sua pandilha, que mais nao e do que uma involuntaria mole de cidadaos, prole de um dos maiores imperios da historia? Pois o primeiro-ministro alegadamente corrupto ate as orelhas vai mesmo sentar-se na cadeira do poder. Vao ser as flatulencias que disparara contra Prodi, seu conterraneo, o que mais tempo lhe vai roubar? ou tal cargo, digno de um Hercules a bracos com dez recem-nascidos, vai apaziguar a sua rebeldia extremadamente de direita? (caralho, so perguntas, perguntas, perguntas... nao me sai mais nada do que indagacoes bacocas a reboque de um periodico dito de referencia e que ate esta quase a ser ultrapassado pelo unico tabloide que por ca se faz - viva o Nanni Moretti!!!) Enfim. Tou mais calmo agora. Continuando. Por ca as coisas tambem nao andam faceis. Depois da mi­riade de solucoes sociais que a Terceira Via nos prometia, ve-mo-nos agora afogados num mar de direita. Nao ha como os volateis militantes de base (volateis porque saltam de partido em partido, a procura de novas causas para ajudar Portugal) para indicar o rumo que o Pai­s deve tomar. Neste caso, tal como em Italia, assim como no tempo de Antonio Guterres, foi um rumo de merda o que se escolheu. Ta tudo perdido. Foda-se. (foda-se tb p a puta da pontuacao, que me azucrina a mona)

Richelieu, Cardeal
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