Quinta-feira, Abril 29, 2004

Portugal, Portugal! 



A partir de Maio, todos os dias uma nova imagem do Estado Novo
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Parece chegado o momento de esclarecer uma coisa ou duas aos nossos colaboradores. Em primeiro lugar, e ao contrário do que pensa o nosso caro Torquemada (ou lá como ele assina), este não é um blog livre nem plural. Era só o que faltava. Bem podem propalar a liberdade de expressão do meio e as virtudes emancipatórias dos blogs, que a nós essa conversa não comove nem um bocadinho. O Maus Fígados é um negócio, foi desde o início um negócio, e até à morte da patente será um negócio. Assim, procede como um negócio e tem as regras próprias de qualquer negócio. Há desde logo quem manda, porque paga, e quem obedeça, porque recebe. E há objectivos a cumprir, especificados nos contratos e na declaração de princípios. A tal «liberdade», neste contexto, resume-se à nossa própria visão perante os resultados. Nada mais. Se há saúde financeira, se o mercado responde, se os posts se vendem, não interferimos de modo algum e permitimo-vos a liberdade que quiserem. Caso contrário, reservamo-nos o direito de tomar as medidas adequadas. Aqui há uns dias, Robespierre falou do 25 de Abril e das mudanças ocorridas na sociedade portuguesa. Falou da censura e do seu desaparecimento. Pois parece-nos exactamente o ponto mais negativo da revolução. A ausência de um «exame prévio» permitiu, desde então, a publicação de qualquer disparate e aleivosia. A publicação de qualquer insulto e ignomínia. E a impunidade está prevista na constituição! Mas não se aplica aos blogs, e especialmente aos blogs constituídos em sociedade anónima. Assim sendo, reservamo-nos, a partir do dia de hoje, o direito de riscar, apagar, censurar, qualquer post que nos pareça desadequado aos objectivos do blog. Não o faremos nunca por motivos políticos ou ideológicos, e pouco nos interessa as opiniões de cada um ou as matérias que aqui pretendam abordar. A censura realizar-se-á por motivos estritamente «económicos», louvando assim a natureza comercial do blog, que nos parece andar arredada da cabecinha dos colaboradores. Acusem-nos do que quiserem, a partir de hoje passa a estar instituída a Censura no Maus Fígados.

Nota: Quanto a Robespierre, não lhe reconhecemos qualquer direito a executar estes procedimentos (como se terá verificado já num post recente de Torquemada). Qualquer interferência será sempre da nossa inteira responsabilidade.


O Conselho de Administração

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Segunda-feira, Abril 26, 2004

Camioneta Casadoira II 

E partiu. Com a sua nova aquisição, um trailer Mercedes Actros a puxar, naquele momento, uma galera linda de morrer, branca com duas listas: uma cinzenta, a outra azul. Foi paixão à primeira vista, quando Robespierre ouviu aquele camião fazendo rrroaaarrrr. Foi como se o paraíso descesse ao quintal da camioneta. Montou o basculante mais 'in' que tinha e seguiu-o. Segui-lo-ia até ao fim do mundo, se preciso fosse.
Mas não foi. Em breve o belo caminhão encostou para mudar a água às azeitonas e... eis que chega uma dama e o bom velho Actros naquela condição! Aprumou-se num repente e foi surpreendido por um convite assaz estranho por parte da bela camioneta: anda daí às próximas bombas que eu pago uma rodada da nova Shell.
E partiu...

Tomás de Torquemada
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Camioneta Casadoira 

Robespierre era uma camioneta.
E casou-se!

Torquemada
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Robespierre é que é o nosso livro... 


...e tem muito estilo: Pôpa com ares de rockabilly, botas Doc Martens (não confudir com as Dr. Martin), blusão de cabedal puído e dentes mal lavados. Queres melhor do que isto, ó Torquemada?

Richelieu, Cardeal
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Domingo, Abril 25, 2004

O Corrector 

Muito obrigados (o s é propositado, oh inquisidor de trazer por casa) ao camarada Robespierre pelas correcções à falta de negrito na assinatura cá do 'je', mas era escusado terem reduzido o subsídio de férias. Esta administração está uma fera. Qualquer dia começam a censurar-nos os textos, coisa que eu tão bem fazia nos bons velhos tempos da inquisição. Até porque a assinatura é um bem pessoal, imune a qualquer ditadura formal ditada pelo livre arbítrio de um administrador de um 'blog' que se quer (quer?) livre e plural.
Pela defesa de um livro de estilo do blog Maus Fígados.

Torquemada
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Diálogos Avulsos 


E o Delírio, ontem? Olha, encontrei a Alice. Perguntou-me por ti. Ai sim, e que lhe disseste? Que estavas meio zurzuado com a história da Zulmira, que te estava a baralhar os equilítrios. Equilitríamos, meu ronsoso de merda. Então vais-te pôr a dizer essas merdas àquela desconoada hemorroidilica. Oub lá, e não é isso que se passa?

Touaqui Toutapoulos
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Sábado, Abril 24, 2004

Portugal e o 25 de Abril 

O 25 de Abril baralhara deveras Portugal. Ainda um pouco atordoado da ressaca da véspera, Portugal viu-se só. Num despovoado imenso apenas polvilhado aqui e ali de chassos velhos de automóvel. Achou-se só e sem fôlego. Mas não recordava nada que o pudesse ter deixado em tal estado de afonia. Bom, pensou. Vamos mas é beber um copo e não se pensa mais nisto. Levantou-se e concluiu que o copo teria que esperar. Teria que esperar que Portugal fizesse todo o longo percurso que o separava de um copo. Na taberna do Ti Manel, pensava sôfrego e desbarguilhado. Todos os lados que observava o deixavam mais na incógnita. Que caminho tomar? replicou com os seus botões enquanto tentava afastar a ideia do copo. Quanto mais pensasse nisso mais se atormentava na sua já de si tormentosa solidão. Até que surgiu, ao longe, uma onda de poeira. Era um jipe do exército. E, lá dentro, aquele caralho do Salgueiro Maia, com quem Portugal fizera 'ganda' campanha na Guiné. Então meu mangano!... Oh, não me digas nada. Então foi mais uma noite de copos e putedo? Oh pá, sabes como é que é...

Tomás de Torquemada
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Portugal, Portugal! 



A partir de Maio, cada dia uma nova imagem do Estado Novo
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Sexta-feira, Abril 23, 2004

O Lugar e o Paralelo 

Verificamos que o lugar A está situado no hemisfério norte e está afastado do equador 50º. Então a latitude do lugar A é 50º N e escreve-se: Lat. A = 50º N. Na mesma altura, o lugar B encontra-se sobre a linha do Equador. Então a sua latitude é 0º e temos Lat. B = 0º. Quanto mais afastado do Equador se encontra um lugar, maior é a sua latitude. Também, os lugares que têm a mesma latitude estão situados no mesmo paralelo. Por isso podemos afirmar: Todos os lugares que se situam no mesmo paralelo têm a mesma latitude.

Touaqui Toutapoulos
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O amor e a mão esquerda injustiçada 


Decidi aceitar o desafio de Robespierre, até porque não me quero manter um simples script para o resto da vida. Como devem imaginar, a minha vida vai longa, cheia de percalços e momentos hilariantes (vide o 25 de Abril como Evolução e a análise pertinaz de Robespierre sobre o assunto um ou dois posts abaixo). Mas sobre questões de amor, isso... ah, o amor. E então cópulas... já nem sei como se fazem.
Mas já soube, antes do meu espírito racionalista ter castrado a minha potência sexual. Recordo uma manhã de verão, há muitos anos, uma larga colina verdejante, rasteiramente verdejante. Seguia um passeio solitário, embrenhado num discurso pós-filosófico sobre como matar a praga de baratas lá de casa e saber como não deixar o meu canário abrir a sua estridente glote logo pela madrugada. Imbricado nestes raciocínios, vi de repente uma amálgama de corpos à distância. Femininos. Nus. Bonitos. Freneticamente enleados. Parei. Prossegui.
Á medida que cumpria aquela divina rota de colisão, turvava-se-me o pensamento, ruborizavam-se-me as faces e até o canário que vivia na minha cabeça adoptou uma postura atenta, silenciosa, como se lhe fossem de imediato encher a gaiola de sementes de cânhamo, a sua receita preferida.
A tourada sexual manteve-se como se eu não existisse. Como se eu não tivesse o direito de passear pelas minhas memórias e preocupações. Enquanto Plutão se aproximava das Vénus, a excelência daquelas vontades altamente estimuladas tornava-se audível: gemidos, implorações, um constante arfar, uma promessa de extâse. Á medida que a minha boca se ia secando e umas gotículas de suor persistiam na minha testa, distingui a beleza daquele amor, a perfeição das estruturas físicas assim combinadas, numa das mais elevadas odes a Safo. Dois rostos, dois peitos perfeitos, quatro pernas engenhosamente curvilíneas. E os braços, senhores, aqueles braços...
Quanto mais não fosse pelos berros da minha tusa ante aquele cenário, uma das caras levantou-se da amálgama libidinosa e fitou-me com dois olhos negros. Perscrutou-me, vasculhou um dos sacos que até então me estava invisível e retirou um revólver, com o qual não perdeu tempo, postura e firmeza para me esfacelar o dedo mindinho da minha mão esquerda. Desmaiei.
Recobrando a consciência no hospital, as dúvidas vilipendiaram-me nos minutos seguintes, e em boa parte da minha restante vida. Apenas uma certeza: sendo canhoto, passei a perder o equilíbrio cade vez que, na casa-de-banho, tentava fazer justiça pelas próprias mãos.


Richelieu, Cardeal
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Momento Cultural 


Salvador Dalí, Retrato de Luis Buñuel, 1924
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Se Tem Medo De Voar, Ria-se 

O Diabo resolveu seguir o conselho dos psiquiatras e expôr publicamente os seus fantasmas. Já não há post em que não goze com a natureza, aludindo aos seus desprimores e crueldades. Ficamos a saber que é gordo e se acha feio. E que Bill Murray representa o quase, a possibilidade muito ínfima de um entradote algo adiposo se associar à beleza (o filme deve ter agradado a todos aqueles que estão quase).
Eu acho uma excelente ideia. Sempre que ia aos psiquiatras diziam-me isto: «Sabe os que têm medo de voar? Que se borram todos? Pois o conselho que dou é que contem anedotas e riam disso. Principalmente quando estão no ar». Nem mais. O esquema utilizado no Dicionário é o mesmo. E eu acho que a blogosfera está mesmo a jeito para este tipo de situações. Plateia vasta, silenciosa, abstracta (quando se escreve, nem os hum hum do psiquiatra). E há que aproveitar. Proponho por isso aos meus caros colegas que iniciem a catarse. Cardeal: toca lá a superar esse complexo de seres um script e conta chistes sobre a impossibilidade de copular. Machi: meu caro, liberta-te lá dessa corcunda, desse Pão-de-Açúcar, desse menir que tens às costas. Torquemada: esses pés chatos pedem sátira. Goza lá com o desequilíbrio, com a incapacidade de saltar à corda. Façam isso e será mais fácil. A blogosfera escuta-vos.
Robespierre
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Quinta-feira, Abril 22, 2004

30 Anos Para Trás 

Anda para aí uma algazarra com o 25 de Abril. A malta de esquerda indignou-se com a subtracção do R à sua estimada revolução e desata a pintar cartazes e a acusar o governo de revisionismo. Enquanto que à direita lhe parece simpática a escolha do termo «evolução». Pois muito bem: não foi nem uma coisa nem outra e a discussão é absurda. O 25 de Abril foi, antes de mais, uma Regressão. Exemplos? Os meus avós tinham dinheiro a 23 e tiveram de fugir. Continuaram ricos e eu herdei bastante, mas ainda assim fiquei a perder. Os tios da parte do meu pai também fugiram, mas ao contrário dos meus avós não regressaram. Lerpei eu, que eles não tinham nenhum filho. Mais exemplos? Dantes havia censura e não havia blogs. Agora há blogs e não há censura. Resultado: é uma pouca vergonha, é um intestino ascoroso. Dantes havia partido único e estava bem. Agora há partidos à brava e a venalidade difunde-se (veja-se a quantidade de autarcas, de todos os partidos, a mitrarem o povo). Dantes havia colónias e pretinhos simpáticos. Agora há traficantes de cor e um território minúsculo. Dantes havia a PIDE e agora há o SIS. Os primeiros trabalhavam, os segundos são inúteis. Dantes tínhamos ouro agora temos o Gold da SIC. Dantes havia poucas horas de televisão e quase nenhum apresentador. Dantes as mulheres não saíam e quase não tinham direitos. Agora andam para aí a roubar empregos de perna à mostra. Dantes os gays não se exprimiam. Agora espremem-se em plena rua. Dantes havia ordem, autoridade e corrupção. Agora até prendem o Valentão. Enfim, podia continuar para aqui a enumerar exemplos, a provar até à exaustão o quanto perdemos com o 25 de Abril. Nem Revolução, nem Evolução, andamos para trás como camelos.
Robespierre
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Quarta-feira, Abril 21, 2004

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Em breve iremos brindar os nossos leitores com um novo escriba. Não sabemos o seu nome, mas estava de preto e arbitrou o F.C. Porto vs Deportivo da Coruña. Digam lá que não é um pintas...

Maus Fígados, S.A.
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Por outro lado, esta senhora continua a irritar-nos... 




Por outro lado, Maria José Morgado prova-nos que é possível andar por aí a maldizer pessoas benfazejas, como o valente Valentim. Prova-nos também que é possível em Portugal lançar lama sobre o nome de uma figura pública, lançar a duvidança, a controvérsia, o enleio pelo linchamento na praça pública. Era esta senhora quem devia estar nos calabouços da portuense rua Pereira Reis, a responder por burla agravada perante a sociedade portuguesa.
Paulo Portas e Celeste Cardona só agora têm oportunidade de serem reconhecidos pela sua clarividência governativa aquando do afastamento do cargo de directora-adjunta da PJ desta pútrida funcionária estatal. E já agora cuidado com o marido dela, o Saldanha Sanches:


O último Saldanha minimamente mediático que Portugal teve foi o que se viu...

Richelieu, Cardeal
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Maus Fígados de Luto 



Este é um dia lamentável. Um homem que provou à saciedade as vantagens da arrogância e da prepotência, que provou que se pode fazer tudo e continuar impune e muito edil, que provou que se vendem votos e compram cargos, que provou que quem berra mais alto tem razão e ninguém está acima dele, que provou que neste País quem se safa é o vigarista e o «influente», que provou que os maus modos glorificam e dão dinheiro, que provou uma data de coisas bonitas, este homem, este senhor, este extraordinário gentleman, foi agora detido por um pormenor técnico, à maneira de Al Capone nos anos 30, e fica à sombra (talvez por umas horas), enquanto nós ficamos aqui tristes, desolados, impotentes. Sempre foste um exemplo, Major, um modelo e uma inspiração para este humilde projecto.
Volta depressa (de pequeno almoço tomado)!
Robespierre

P.S. Quem me dera em vez de um Diamantino ter um Valentim...
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Segunda-feira, Abril 19, 2004

E de repente, fez-se silêncio... 




schiuuuuuuuuuu...


Richelieu, Cardeal
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Terça-feira, Abril 13, 2004

Uma Lomba de desilusão 


Dentro das minhas saturadas lides diárias, sobretudo com os resquícios da polémica à volta do insonso, mas deliciosamente violento, filme de Mel Gibson, tive a oportunidade de assistir à mais recente sessão do "É a cultura, estúpido!", no Jardim de Inverno do São Luíz, em Lisboa, no final do mês passado.
Estava lá toda a blogosfera cor-de-rosa, desde Pedro Mexia, João Miguel Tavares, José Mário Silva, até ao Lomba (Pedro).
E é sobre este último, precisamente, que recaiu o meu espanto, já que os demais não espantam pela forma como dão codilho a uma fatia larga de cidadãos com pouco que fazer, onde, por algumas horas, eu estive incluído.
Tinha-o como um ser pensante, do qual discordo ou até me borrifo em termos opinativos. E talvez ele seja mesmo um ser pensante. Mas a forma como discutiu com o Daniel "Barnabé" Oliveira sobre um livro que tentava descontruir a argumentação de esquerda desfavorável à invasão do Iraque, foi confrangedora. Entre alterações de timbre de voz, passeando muitas vezes pelo falsete, e exclamações abruptas e secas de "deixa-me acabar de explicar os meus argumentos", a imagem que me veio à cabeça foi a de um miúdo rico que joga à bola com os meninos pobres da sua zona, sendo a bola sua total e arbitrária propriedade.
Ao lado, Mexias e companhias sorriam envergonhadamente, como quem diz: "ele é muito esperto, mas tem este feitio, coitado". Do Lomba, a certa altura, só faltou ouvir a exclamação: "ou eu marco o penálti ou o jogo acaba aqui!!!".
Que pena, não foi falta...

Richelieu, Cardeal
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Sábado, Abril 10, 2004

Colecção «A Família Portuguesa» 

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Até Setembro de 2006 serão postados regularmente os episódios da novela «A Família Portuguesa». Poderá ir comprando, à medida que saem, ou então esperar pela conclusão e adquirir a colecção completa, com encadernamento de luxo e a possibilidade de conversar com Torquemada sobre o processo criativo. Esta é mais uma iniciativa da Administração, sempre vingativa e desagradável.

Maus Fígados, S.A.

P.S. Em breve surgirão mais brindes. Esteja atento.
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Paga e Não Bufes 

Cheguei a pensar que ia perder a aposta sobre o Iraque. Disse eu à administração, há coisa de um ano: daqui a um ano é o caos, um beco sem saída. Disseram eles: não é nada, está tudo resolvido, quase democratizado e as ADM repousam no fundo do mar. Guturavam estas coisas enquanto coçavam as barrigas. Eles eram três e riam-se muito. E desafiavam-me. Apostamos três ordenados e um administrador, disseram. Está bem, disse eu. Ainda tive receio, a coisa acabou depressa, apanharam o outro, varreram-se as notícias. Mas agora estou satisfeito. Ainda não acabou o mês e é o caos, um beco sem saída. Tal como eu dissera.

Meus amigos, chegou a hora de fazer contas. Sai o Diamantino, que é o mais ordinário. E podem fazer a transferência, s.f.f.. Para a semana não estou, vou de férias.
Bem sei que V. Exas. são maus perdedores e ainda aventam hipóteses extravagantes. Ainda acreditam, se calhar. Mas não acreditam, não querem é pagar. E começam a vingar-se. Contrataram dois tipos que eu nem conheço e que poluem esta página diariamente. Retaliação barata. Não vos serve de nada. Ganhei eu a aposta. Agora paguem e não bufem.
Robespierre

P.S. Até podem contratar o Estaline e o Metternich. Quero lá saber. Tchau Diamantino.
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Punhetas de Bacalhau: Uma Família Portuguesa IV 

A tia Alice fazia as melhores punhetinhas de Campo de Ourique, das Amoreiras e da Estrela juntas. Alvalade, Alcântara e outros bairros começados por A ou por outras letras estavam a leste; não conheciam o melhor pitéu da capital. Ela tinha um jeito de mão que não se encontrava para cá de Vila Franca de Xira. É que a punheta requer mexidelas constantes, senão o bacalhau agarra. Além de que, "se não o agarramos bem de início, nunca mais a punheta pare", confidenciava a perita cu linária às suas amigas nas matinés dos bombeiros. Enquanto isso, Luísa cirandava pela sala, ansiosa por que algum delicioso reparasse nela. Depois, bastava a abordagem e que não fosse trengo de todo para que caísse nos seus contos de fadas, fados, fodas,... bom, não interessa. O certo é que caía. E quando caía era o regabofe na encosta de Casal Ventoso nos finais das tardes de Sábado. Ao princípio da noite o trólóló tranferia-se para o Jardim da Estrela, do qual conhecia todos os bancos e sítios por trás das árvores era como se fosse a sua segunda casa.
Tomás 'a.k.a. Touaqui Toutapoulos' de Torquemada
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Sexta-feira, Abril 09, 2004

Uma Família Portuguesa III 

Os 'métre d' hotel' («mete-mo, meu mel!», como no seu íntimo gostava de lhes chamar) são um bocadinho mais chatos (em relação às mádames), mas também não são maus de todo. Basta saber lidar com eles e deixá-los a eles saber lidar com a gente e têmo-los nas palminhas. Alás, um destes últimos métres com que lidou pensou mesmo que Luísa se tinha apaixonado por ele. O raça do métre estava sempre a querer levar à prática o nome próprio: mètre le pi ao cú. Ora, numa dessas matinés, depois de ter-se iniciado logo aos quinze, Luísa teve um romance tórrido com um comerciante, de tal modo tórrido que foram vastas vezes foram apanhados em flagrante de pito nas escadarias dos prédios da Possidónio!!! a rua da Presidência do Conselho de Ministros.
mpre a querer levar à prática o nome próprio: mètre le pi ao cú.
Tomás 'a.k.a. Touaquitoutapoulos' de Torquemada
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Uma Família Portuguesa (cont.) 

Luísa Almeida, Sousa de solteira, anda no 'néto iáje' e não se dá nada mal. As 'mádames' são 'simpás', "o trabalho não é duro por aí além e com a poupança dá p' ra juntar algum p' ra levar 'lá bas' (para a Sernancelhe de origem)", diz de viva voz a mulher-do-esfregão-que-trabalha-no-néto-iáje-em-frança-e-que-constrói-já-a-sua-moradia-na-póvoa-de-sernancelhe, com uma pronúncia algarvia que denuncia a origem: Odeceixe. Ida p' ra Lisboa aos 15, em casa de uns tios inicia-se na lide. Era bem referenciada em Campo de Ourique, o bairro dos tios no qual cresceu aos 18, sempre nas suas tarefas de limpeza e nas sua 'matinés' no Salão dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique - Lisboa. Sim porque - não se cansavam de lembrar as gentes de Casal Ventoso - o outro Ourique pode fazer confusão.

Tomás de Torquemada
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Ora Toma lá um tirinho, ora agora Tomo Eu (frisson na Palestina) 

Passou uma curiosa notícia na televisão (esta metafísica geringonça de alienação colectiva do indivíduo) sobre uma manifestação de um grupo de Gays Palestinianos e Judeus, composto por casais entre estes dois povos em tudo o resto beligerantes.
Pensando bem, por outro lado... E não é que só reafirmam o que cultural, política e militarmente estes dois povos têm feito um ao outro nos últimos 50 anos? É que, mormente, não têm feito outras páscoas senão foderem-se uns aos outros. Lá está! Bingo.
A vida, meus bons patetas em antes de mais, é isto. Nada mais. Nada menos.
Genghis Khan

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Quarta-feira, Abril 07, 2004

Em matéria de BRANCO, estamos muito à frente 

Toda uma panóplia de polémicas, que curiosamente ora em aparência interagem ora na verdade se desconectam, uniu a sociedade portuguesa em geral e os indolentes em particular em torno do livro de José Saramago, Ensaio sobre a Lucidez.
A questão do voto em branco relatada é por demais conhecida. Porém convém os leitores de blogs estarem bem cientes de duas coisas, mormente; Uma, o desconchavo e rodopio em volta do branco com votações pelo meio já foi apanágio público deste blog tão vosso amigo ainda em antes da coisa tonta que despoletou o Nobelizado escritor. A segunda, e bem mais importante, é que vou neste momento almoçar uma sandes americana e um fino. E isto, meus amigos, que vos sirva de lição e lance muitas viagens interiores em leitores menos precavidos e com apetites suspeitosos que derramam a discórdia do baço e a tragédia biliar interna.
A vida é isto. Nada mais, nada menos.
Genghis Khan

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Segunda-feira, Abril 05, 2004

Vulgar lamento 

Nada há de mais vulgar do que o lamento. Ainda hoje, somente em nota ilustrativa o relato aqui deixo, uma árvore não conseguiu parar de se lamentar, entre os meus passos, a tarde toda, acerca do incómodo e desassossego causado por 12 bolhas nos seus pés, de árvore. O que com a crescente percentagem de fibras compósitas em vez de lã ou linho na fabricação das peúgas de árvores só poderá com propriedade espantar os mais desprevenidos nestes assuntos.
Bem sei que há momentos na vida de um ser vivo que desembocam em território desconhecido, suspeito ou até desesperante, mas há limites. Bem me bastam a mim as desconexões e as confissões semanais de um casal com quem compartilho alojamento. Por um lado percebo bem os pressupostos da vida de um saca-rolhas e ouço-o com toda a atenção. Por vezes não sou o melhor a poder aconselhar ou elucidar o meu tortuoso interlocutor mas, mormente, entendo-o e ele a mim. Já a sua companheira é muito mais silenciosa, facto que aprecio e não me canso de agradecer em segredo (e com os olhos fechados com muita força) aos Deuses. Não descobri foi ainda a melhor forma de estabelecer regras de comunicação plenas de justiça ética com a máquina-de-cortar-relva a gasóleo. E convém não criar atritos pois a relação entre ela e o saca-rolhas é, apesar da minha presença que poderá parecer suspeita, o garante do equilíbrio e fornecedor do tom da realidade que, e ainda bem, fortemente ressoam na nossa tão amada casa.
Genghis Khan

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Para a América 



Não, este post não foi encomendado pela Geffen, nem pela SubPop, nem pela viúva do malogrado vocalista dos Nirvana. Este post é uma pausa. Uma singela homenagem do Maus Fígados ao último mártir do rock. Morreu exactamente há dez anos, pouco depois do único concerto da banda em Portugal (ao qual tive a felicidade de assistir). Representou a angústia dos adolescentes da sua época. Fez música, grande música. E foi um homem honesto. No dia 5 de abril, em Seattle, tal como o personagem de Dostoievsky em Crime e Castigo, apontou uma arma à boca e disse «Para a América».
Fica a obra, fica o respeito.
Robespierre
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Domingo, Abril 04, 2004

Uma Família Portuguesa 

França, Março de 1999. Saint-Étienne, 180 kms a oeste de Genève, 40 de Lyon. Trezentos kms a norte de Marseille. Um bairro operário construído pela empresa empregadora, casas com a dimensão mínima e a lotação máxima. Almeida, Júlio de o chamarem, operava na fábrica com horários desencontrados: das 8 às cinco, das dez às seis da manhã. Domingo por folga semanal. Cada dois domingos salta a folga para terça e toca de trabalhar ao Domingo, que o ritmo fabril não se compadece com o ritmo familiar nem com o religioso.
Tomás 'a.k.a. Touaqui Toutapoulos' de Torquemada

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Sexta-feira, Abril 02, 2004

Gonorreia ou editorice - decide o leitor 

Acabou de vir aqui parar um leitor que buscou no google artigos ciêntificos sobre gonorreia, o que me leva ao seguinte pensamento; O José Manuel Fernandes (do público, caralho, no pachorra to link) é valoroso em artigos que tocam no tema, há muito tempo o homem debita lixo ora propagandista ora existencialista. Hoje porém exacerbou a bolota escrivâ e boleou editorial de fino trato, qual aurora refrescante, qual soneto da verdade. Por outro lado o lapislazuli é uma cor muito pouco elogiada nos blogs, não me desiludam, pessoal...
Machiavelli
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Um Burrié anti-blogalização 

O blog dos Burriés (o que é que tem o burrié que sai pla frente dos narizes?) tem preparada uma campanha contra o ensino de Camões nas escolas Portuguesas. Conseguimos extorquir a troco de rebuçados suspeitos uma frase lapidar de um representante desta facção da política lusa nasal; Pá de modos que esta merda que o zarolho canta não tá com nada meu, atão queres ver que o gajo põe-se a cantar os feitos de uma nação de marinheiros que globalizou o comércio? Foda-se... e isto do blogs, meu, vai pelo mesmo caminho, amanhã, aqui no Burrié começamos também uma nova campanha em descrédito deste nociço mundo americanizado que são os Blogs, Foda-se, Ó quim, as mortalhas? fodassss, és sempre a mesma merda, um gajo arranja o burrié pa fumar e tu nunca desenmerdas o papelame, fodasssss. Machiavelli
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Quinta-feira, Abril 01, 2004

Acção meritória, mas passas o molho, ou quê? 

Uma nova campanha está a ser levada a cabo pelos pacifistas de todo o mundo em geral e várias urbes poliglotas em particular. Uma salada pela Paz. Faça uma salada e ajude a mudar o rumo dos acontecimentos no Iraque. Com cominhos e alfaces, com tomates, com requeijão, com pimenta, enfim com tudo aquilo que até agora foi esquecido.
Amanhã em todas as cozinhas das várias capitais Europeias um outro nabo cantará mais alto. Ajude. Condimente-se. E depois coma. Coma Coma Coma. pela Paz, caralho!
Machiavelli
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