Quinta-feira, Abril 29, 2004
Portugal, Portugal!
|Parece chegado o momento de esclarecer uma coisa ou duas aos nossos colaboradores. Em primeiro lugar, e ao contrário do que pensa o nosso caro Torquemada (ou lá como ele assina), este não é um blog livre nem plural. Era só o que faltava. Bem podem propalar a liberdade de expressão do meio e as virtudes emancipatórias dos blogs, que a nós essa conversa não comove nem um bocadinho. O Maus Fígados é um negócio, foi desde o início um negócio, e até à morte da patente será um negócio. Assim, procede como um negócio e tem as regras próprias de qualquer negócio. Há desde logo quem manda, porque paga, e quem obedeça, porque recebe. E há objectivos a cumprir, especificados nos contratos e na declaração de princípios. A tal «liberdade», neste contexto, resume-se à nossa própria visão perante os resultados. Nada mais. Se há saúde financeira, se o mercado responde, se os posts se vendem, não interferimos de modo algum e permitimo-vos a liberdade que quiserem. Caso contrário, reservamo-nos o direito de tomar as medidas adequadas. Aqui há uns dias, Robespierre falou do 25 de Abril e das mudanças ocorridas na sociedade portuguesa. Falou da censura e do seu desaparecimento. Pois parece-nos exactamente o ponto mais negativo da revolução. A ausência de um «exame prévio» permitiu, desde então, a publicação de qualquer disparate e aleivosia. A publicação de qualquer insulto e ignomínia. E a impunidade está prevista na constituição! Mas não se aplica aos blogs, e especialmente aos blogs constituídos em sociedade anónima. Assim sendo, reservamo-nos, a partir do dia de hoje, o direito de riscar, apagar, censurar, qualquer post que nos pareça desadequado aos objectivos do blog. Não o faremos nunca por motivos políticos ou ideológicos, e pouco nos interessa as opiniões de cada um ou as matérias que aqui pretendam abordar. A censura realizar-se-á por motivos estritamente «económicos», louvando assim a natureza comercial do blog, que nos parece andar arredada da cabecinha dos colaboradores. Acusem-nos do que quiserem, a partir de hoje passa a estar instituída a Censura no Maus Fígados.
Nota: Quanto a Robespierre, não lhe reconhecemos qualquer direito a executar estes procedimentos (como se terá verificado já num post recente de Torquemada). Qualquer interferência será sempre da nossa inteira responsabilidade.
O Conselho de Administração
Segunda-feira, Abril 26, 2004
Camioneta Casadoira II
Mas não foi. Em breve o belo caminhão encostou para mudar a água às azeitonas e... eis que chega uma dama e o bom velho Actros naquela condição! Aprumou-se num repente e foi surpreendido por um convite assaz estranho por parte da bela camioneta: anda daí às próximas bombas que eu pago uma rodada da nova Shell.
E partiu...
Tomás de Torquemada
Camioneta Casadoira
E casou-se!
Torquemada
Robespierre é que é o nosso livro...
...e tem muito estilo: Pôpa com ares de rockabilly, botas Doc Martens (não confudir com as Dr. Martin), blusão de cabedal puído e dentes mal lavados. Queres melhor do que isto, ó Torquemada?
Richelieu, Cardeal
Domingo, Abril 25, 2004
O Corrector
Pela defesa de um livro de estilo do blog Maus Fígados.
Torquemada
Diálogos Avulsos
E o Delírio, ontem? Olha, encontrei a Alice. Perguntou-me por ti. Ai sim, e que lhe disseste? Que estavas meio zurzuado com a história da Zulmira, que te estava a baralhar os equilítrios. Equilitríamos, meu ronsoso de merda. Então vais-te pôr a dizer essas merdas àquela desconoada hemorroidilica. Oub lá, e não é isso que se passa?
Touaqui Toutapoulos
Sábado, Abril 24, 2004
Portugal e o 25 de Abril
Tomás de Torquemada
Portugal, Portugal!
|Sexta-feira, Abril 23, 2004
O Lugar e o Paralelo
Touaqui Toutapoulos
O amor e a mão esquerda injustiçada
Decidi aceitar o desafio de Robespierre, até porque não me quero manter um simples script para o resto da vida. Como devem imaginar, a minha vida vai longa, cheia de percalços e momentos hilariantes (vide o 25 de Abril como Evolução e a análise pertinaz de Robespierre sobre o assunto um ou dois posts abaixo). Mas sobre questões de amor, isso... ah, o amor. E então cópulas... já nem sei como se fazem.
Mas já soube, antes do meu espírito racionalista ter castrado a minha potência sexual. Recordo uma manhã de verão, há muitos anos, uma larga colina verdejante, rasteiramente verdejante. Seguia um passeio solitário, embrenhado num discurso pós-filosófico sobre como matar a praga de baratas lá de casa e saber como não deixar o meu canário abrir a sua estridente glote logo pela madrugada. Imbricado nestes raciocínios, vi de repente uma amálgama de corpos à distância. Femininos. Nus. Bonitos. Freneticamente enleados. Parei. Prossegui.
Á medida que cumpria aquela divina rota de colisão, turvava-se-me o pensamento, ruborizavam-se-me as faces e até o canário que vivia na minha cabeça adoptou uma postura atenta, silenciosa, como se lhe fossem de imediato encher a gaiola de sementes de cânhamo, a sua receita preferida.
A tourada sexual manteve-se como se eu não existisse. Como se eu não tivesse o direito de passear pelas minhas memórias e preocupações. Enquanto Plutão se aproximava das Vénus, a excelência daquelas vontades altamente estimuladas tornava-se audível: gemidos, implorações, um constante arfar, uma promessa de extâse. Á medida que a minha boca se ia secando e umas gotículas de suor persistiam na minha testa, distingui a beleza daquele amor, a perfeição das estruturas físicas assim combinadas, numa das mais elevadas odes a Safo. Dois rostos, dois peitos perfeitos, quatro pernas engenhosamente curvilíneas. E os braços, senhores, aqueles braços...
Quanto mais não fosse pelos berros da minha tusa ante aquele cenário, uma das caras levantou-se da amálgama libidinosa e fitou-me com dois olhos negros. Perscrutou-me, vasculhou um dos sacos que até então me estava invisível e retirou um revólver, com o qual não perdeu tempo, postura e firmeza para me esfacelar o dedo mindinho da minha mão esquerda. Desmaiei.
Recobrando a consciência no hospital, as dúvidas vilipendiaram-me nos minutos seguintes, e em boa parte da minha restante vida. Apenas uma certeza: sendo canhoto, passei a perder o equilíbrio cade vez que, na casa-de-banho, tentava fazer justiça pelas próprias mãos.
Richelieu, Cardeal
Momento Cultural
Salvador Dalí, Retrato de Luis Buñuel, 1924
Se Tem Medo De Voar, Ria-se
Eu acho uma excelente ideia. Sempre que ia aos psiquiatras diziam-me isto: «Sabe os que têm medo de voar? Que se borram todos? Pois o conselho que dou é que contem anedotas e riam disso. Principalmente quando estão no ar». Nem mais. O esquema utilizado no Dicionário é o mesmo. E eu acho que a blogosfera está mesmo a jeito para este tipo de situações. Plateia vasta, silenciosa, abstracta (quando se escreve, nem os hum hum do psiquiatra). E há que aproveitar. Proponho por isso aos meus caros colegas que iniciem a catarse. Cardeal: toca lá a superar esse complexo de seres um script e conta chistes sobre a impossibilidade de copular. Machi: meu caro, liberta-te lá dessa corcunda, desse Pão-de-Açúcar, desse menir que tens às costas. Torquemada: esses pés chatos pedem sátira. Goza lá com o desequilíbrio, com a incapacidade de saltar à corda. Façam isso e será mais fácil. A blogosfera escuta-vos.
Robespierre
Quinta-feira, Abril 22, 2004
30 Anos Para Trás
Robespierre
Quarta-feira, Abril 21, 2004
Em breve iremos brindar os nossos leitores com um novo escriba. Não sabemos o seu nome, mas estava de preto e arbitrou o F.C. Porto vs Deportivo da Coruña. Digam lá que não é um pintas...
Maus Fígados, S.A.
Por outro lado, esta senhora continua a irritar-nos...
Por outro lado, Maria José Morgado prova-nos que é possível andar por aí a maldizer pessoas benfazejas, como o valente Valentim. Prova-nos também que é possível em Portugal lançar lama sobre o nome de uma figura pública, lançar a duvidança, a controvérsia, o enleio pelo linchamento na praça pública. Era esta senhora quem devia estar nos calabouços da portuense rua Pereira Reis, a responder por burla agravada perante a sociedade portuguesa.
Paulo Portas e Celeste Cardona só agora têm oportunidade de serem reconhecidos pela sua clarividência governativa aquando do afastamento do cargo de directora-adjunta da PJ desta pútrida funcionária estatal. E já agora cuidado com o marido dela, o Saldanha Sanches:
O último Saldanha minimamente mediático que Portugal teve foi o que se viu...
Richelieu, Cardeal
Maus Fígados de Luto
Este é um dia lamentável. Um homem que provou à saciedade as vantagens da arrogância e da prepotência, que provou que se pode fazer tudo e continuar impune e muito edil, que provou que se vendem votos e compram cargos, que provou que quem berra mais alto tem razão e ninguém está acima dele, que provou que neste País quem se safa é o vigarista e o «influente», que provou que os maus modos glorificam e dão dinheiro, que provou uma data de coisas bonitas, este homem, este senhor, este extraordinário gentleman, foi agora detido por um pormenor técnico, à maneira de Al Capone nos anos 30, e fica à sombra (talvez por umas horas), enquanto nós ficamos aqui tristes, desolados, impotentes. Sempre foste um exemplo, Major, um modelo e uma inspiração para este humilde projecto.
Volta depressa (de pequeno almoço tomado)!
Robespierre
P.S. Quem me dera em vez de um Diamantino ter um Valentim...
Segunda-feira, Abril 19, 2004
E de repente, fez-se silêncio...
schiuuuuuuuuuu...
Richelieu, Cardeal
Terça-feira, Abril 13, 2004
Uma Lomba de desilusão
Dentro das minhas saturadas lides diárias, sobretudo com os resquícios da polémica à volta do insonso, mas deliciosamente violento, filme de Mel Gibson, tive a oportunidade de assistir à mais recente sessão do "É a cultura, estúpido!", no Jardim de Inverno do São Luíz, em Lisboa, no final do mês passado.
Estava lá toda a blogosfera cor-de-rosa, desde Pedro Mexia, João Miguel Tavares, José Mário Silva, até ao Lomba (Pedro).
E é sobre este último, precisamente, que recaiu o meu espanto, já que os demais não espantam pela forma como dão codilho a uma fatia larga de cidadãos com pouco que fazer, onde, por algumas horas, eu estive incluído.
Tinha-o como um ser pensante, do qual discordo ou até me borrifo em termos opinativos. E talvez ele seja mesmo um ser pensante. Mas a forma como discutiu com o Daniel "Barnabé" Oliveira sobre um livro que tentava descontruir a argumentação de esquerda desfavorável à invasão do Iraque, foi confrangedora. Entre alterações de timbre de voz, passeando muitas vezes pelo falsete, e exclamações abruptas e secas de "deixa-me acabar de explicar os meus argumentos", a imagem que me veio à cabeça foi a de um miúdo rico que joga à bola com os meninos pobres da sua zona, sendo a bola sua total e arbitrária propriedade.
Ao lado, Mexias e companhias sorriam envergonhadamente, como quem diz: "ele é muito esperto, mas tem este feitio, coitado". Do Lomba, a certa altura, só faltou ouvir a exclamação: "ou eu marco o penálti ou o jogo acaba aqui!!!".
Que pena, não foi falta...
Richelieu, Cardeal
Sábado, Abril 10, 2004
Colecção «A Família Portuguesa»
Até Setembro de 2006 serão postados regularmente os episódios da novela «A Família Portuguesa». Poderá ir comprando, à medida que saem, ou então esperar pela conclusão e adquirir a colecção completa, com encadernamento de luxo e a possibilidade de conversar com Torquemada sobre o processo criativo. Esta é mais uma iniciativa da Administração, sempre vingativa e desagradável.
Maus Fígados, S.A.
P.S. Em breve surgirão mais brindes. Esteja atento.
Paga e Não Bufes
Meus amigos, chegou a hora de fazer contas. Sai o Diamantino, que é o mais ordinário. E podem fazer a transferência, s.f.f.. Para a semana não estou, vou de férias.
Bem sei que V. Exas. são maus perdedores e ainda aventam hipóteses extravagantes. Ainda acreditam, se calhar. Mas não acreditam, não querem é pagar. E começam a vingar-se. Contrataram dois tipos que eu nem conheço e que poluem esta página diariamente. Retaliação barata. Não vos serve de nada. Ganhei eu a aposta. Agora paguem e não bufem.
Robespierre
P.S. Até podem contratar o Estaline e o Metternich. Quero lá saber. Tchau Diamantino.
Punhetas de Bacalhau: Uma Família Portuguesa IV
Tomás 'a.k.a. Touaqui Toutapoulos' de Torquemada
Sexta-feira, Abril 09, 2004
Uma Família Portuguesa III
mpre a querer levar à prática o nome próprio: mètre le pi ao cú.
Tomás 'a.k.a. Touaquitoutapoulos' de Torquemada
Uma Família Portuguesa (cont.)
Tomás de Torquemada
Ora Toma lá um tirinho, ora agora Tomo Eu (frisson na Palestina)
Pensando bem, por outro lado... E não é que só reafirmam o que cultural, política e militarmente estes dois povos têm feito um ao outro nos últimos 50 anos? É que, mormente, não têm feito outras páscoas senão foderem-se uns aos outros. Lá está! Bingo.
A vida, meus bons patetas em antes de mais, é isto. Nada mais. Nada menos.
Genghis Khan
Quarta-feira, Abril 07, 2004
Em matéria de BRANCO, estamos muito à frente
A questão do voto em branco relatada é por demais conhecida. Porém convém os leitores de blogs estarem bem cientes de duas coisas, mormente; Uma, o desconchavo e rodopio em volta do branco com votações pelo meio já foi apanágio público deste blog tão vosso amigo ainda em antes da coisa tonta que despoletou o Nobelizado escritor. A segunda, e bem mais importante, é que vou neste momento almoçar uma sandes americana e um fino. E isto, meus amigos, que vos sirva de lição e lance muitas viagens interiores em leitores menos precavidos e com apetites suspeitosos que derramam a discórdia do baço e a tragédia biliar interna.
A vida é isto. Nada mais, nada menos.
Genghis Khan
Segunda-feira, Abril 05, 2004
Vulgar lamento
Bem sei que há momentos na vida de um ser vivo que desembocam em território desconhecido, suspeito ou até desesperante, mas há limites. Bem me bastam a mim as desconexões e as confissões semanais de um casal com quem compartilho alojamento. Por um lado percebo bem os pressupostos da vida de um saca-rolhas e ouço-o com toda a atenção. Por vezes não sou o melhor a poder aconselhar ou elucidar o meu tortuoso interlocutor mas, mormente, entendo-o e ele a mim. Já a sua companheira é muito mais silenciosa, facto que aprecio e não me canso de agradecer em segredo (e com os olhos fechados com muita força) aos Deuses. Não descobri foi ainda a melhor forma de estabelecer regras de comunicação plenas de justiça ética com a máquina-de-cortar-relva a gasóleo. E convém não criar atritos pois a relação entre ela e o saca-rolhas é, apesar da minha presença que poderá parecer suspeita, o garante do equilíbrio e fornecedor do tom da realidade que, e ainda bem, fortemente ressoam na nossa tão amada casa.
Genghis Khan
Para a América
Não, este post não foi encomendado pela Geffen, nem pela SubPop, nem pela viúva do malogrado vocalista dos Nirvana. Este post é uma pausa. Uma singela homenagem do Maus Fígados ao último mártir do rock. Morreu exactamente há dez anos, pouco depois do único concerto da banda em Portugal (ao qual tive a felicidade de assistir). Representou a angústia dos adolescentes da sua época. Fez música, grande música. E foi um homem honesto. No dia 5 de abril, em Seattle, tal como o personagem de Dostoievsky em Crime e Castigo, apontou uma arma à boca e disse «Para a América».
Fica a obra, fica o respeito.
Robespierre
Domingo, Abril 04, 2004
Uma Família Portuguesa
Tomás 'a.k.a. Touaqui Toutapoulos' de Torquemada
Sexta-feira, Abril 02, 2004
Gonorreia ou editorice - decide o leitor
Machiavelli
Um Burrié anti-blogalização
Quinta-feira, Abril 01, 2004
Acção meritória, mas passas o molho, ou quê?
Amanhã em todas as cozinhas das várias capitais Europeias um outro nabo cantará mais alto. Ajude. Condimente-se. E depois coma. Coma Coma Coma. pela Paz, caralho!
Machiavelli