Quinta-feira, Setembro 30, 2004

Tuning é Fome 



Claro que se andam matar nas estradas. Claro que usam «tuning». Têm Puntos, Civics, Peugeots. Têm uma porcaria. Alteram os charutos na miragem de um estilo ou estatuto. Quanto mais rápido, mais gajas. Quanto mais chunga, mais olham. Não têm culpa nenhuma estes tipos. São apenas pobres e estúpidos. Tivessem eles as nossas máquinas e não havia azares. Já viram Jaguares riscados? Ou Porshes demasiado quitados? Abram um blog, pá. Ou passem pelo governo.
Robespierre
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Sê bem-vindo, "Jackass" Robespierre 

É com bons olhos que a comunidade bloguística vê recuperada uma das figuras centrais da sua esfera. Passada esta lambidela pelo Robespierre, fica a ordem: "rasga" lá esta merda como deve ser. A malta tá com saudades. Beijinhos


Richelieu, Cardeal (em estado lacrimoso)

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Quarta-feira, Setembro 29, 2004

Nem Uma Palavra 

O nosso Conselho de Administração é implacável: não só me suspendeu durante quase vinte dias, como também fez questão de me expatriar para terríveis paisagens geladas, a palpitar de mulheres loiras e altíssimas, em países onde os preços nem chegam para gastar meio ordenado. Foram severos, demasiado severos. E eu não me esqueço do castigo. Prometo corrigir-me e passar a divulgar os nossos patrocínios com maior estrilho. E terei tento na língua. Por exemplo, de regresso a Portugal observo algumas coisas que mereceriam as habituais bocarras, mas piarei fininho.

Nem uma palavra sobre o novo secretário geral do PS, nem sobre os comentários que o apontam como espelho catódico do actual primeiro ministro.

Nem uma palavra sobre os professores e a embrulhada informática da ministra. Aliás, porque raio é que iria falar dos professores (?!?).

Nem uma palavra sobre a blogosfera e a evolução anunciada pelo Abrupto. Já nem sequer faço links, por causa das coisas.

Nem uma palavra sobre este blog e a falta de posts. Sei lá se não foram todos suspensos.

Nem uma palavra sobre o FC Porto e as habituais´trombas do Mourinho. Mas permitam-me esta pequena sugestão (lá estou eu a escorregar): porque não contratá-lo para o Maus Fígados?

Nem uma palavra sobre o calor. Ainda colido com os interesses do frio.

Nem uma palavra sobre este País.

Nem uma palavra sobre os portugueses.

Não me obriguem a comer carne de urso outra vez.

Nem manteiga de cogumelo com caviar da Rússia.

Por favor.
Robespierre
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Segunda-feira, Setembro 27, 2004

Contos do meu rosário 

Desculpem ter andado por fora mas andei a dar umas por fora, quer dizer dentro e fora, mas mais fora do que dentro – assim p’o fora-e-dentro e dentro-e-fora – e perdi-me nas contas do meu rosário aqui neste filtro de matérias ácidas que são os maus figados, ou o Maus Figados, como entenderem.
Bem, o que é certo é que conheci uma camarada do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras – devido a um mal-entendido em relação à minha ascendência antilhesa (sim, nessa parte os genes também são das Antilhas) – que depois de beber uns copos fique muito alegre e contente, e não se consegue levantar e não a consegue levantar e empresta o cartão lá do SEF à malta para curtir, vocês sabem fora-e-dentro e dentro-e-fora. “E Bai Dai”, expressão de origem no Bali que uma timorense de Penela me ensinou, andou a correr o país.
Fui fazer um serviço ao Algarve, mas quando lá cheguei os gajos já tinham contratado um ex-agente da vossa PIDE que acho que era daqueles que aprendeu a bater até à morte; passei por Lisboa porque me prometeram um lugar na Quinta das Celebridades (que tive de recusar, com muita pena do Zé que deve ter reparado na minha ascendência, porque não me deixavam levar a máquina de corte lá para dentro e eu acho que até dava jeito para matar uns pirús) e acabei por ter de ensinar uns gajos da GNR de Santarém a fazer o trabalho bem feito. Enfim.
Entre timorenses, lituanas, brasileiros e o “outro” trabalho tive pouco tempo para vir aqui. E mesmo assim não me lembro de mais nada interessante a escrever que não seja estas pequenas vivências neste vosso país.
(ainda vou ser despedido!)

J-I Guillotin
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Terça-feira, Setembro 14, 2004

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O colaborador Robespierre estará suspenso ao longo dos próximos quinze dias. Fraca produtividade e ingerências várias nas questões internas do blog levaram-nos a tomar esta decisão. Outros casos serão também analisados em breve, e pedimos aos restantes colaboradores que tomem esta situação como exemplo. Quanto a Robespierre, este período sevirá para avaliar as condições futuras da sua participação. Os melhores cumprimentos aos leitores, que seguramente continuarão a visitar-nos e a acompanhar as nossas escaldantes promoções. E estejam atentos: em breve haverá novidades das grossas.

Maus Fígados, S.A.
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Segunda-feira, Setembro 13, 2004

Só Com Visa, Pá 



Ainda bem que não nos lembramos do aniversário do Barnabé. Ainda nos lincavam, e era só maltosa a cravar posts de graça.
Robespierre
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Domingo, Setembro 12, 2004

11 do S 


Já não tenho paciência para os festejos do 11 de Setembro lá do Bairro. Estou a viver perto de uma comunidade militar no Interior do país (mais concretamente na Beira Interior) e devo dizer-vos que os festejos do 11 de Setembro fizeram-se sentir.
O avec do meu vizinho, ex-emigra que me julga ex-emigra e não sabe que sou mesmo é emigra, parou de dizer mal dos árabes e dos pretos para louvar os economistas da Escola de Chicago, os métodos de apuramento da verdade da polícia de segurança do Chile e a organização militar e social que Pinochet conseguiu, bem como a forma que o ditador (ele não tem medo de utilizar a palavra) brincou com os covardes dos franceses, espanhóis e ingleses dizendo que estava “maluco” quando o tentaram agarrar em Londres.
O dono do café não precisou de emigrar para França em 1975 como o avec. Ainda esteve em Espanha, a soldo dos serviços secretos do Franco para fazer umas “malandrices aos comunas e anarcas que por lá havia”, como ele diz. Ganhou o suficiente para abrir o café e agora o que ganha aqui (onde escrevo e onde ele vende licoer), mais a reforma de militar como antigo quadro da PIDE e da DGS, dá-lhe perfeitamente para por flores todas as semanas na campa do António Oliveira. Por causa destas celebrações do 11 de Setembro já fui obrigado a ver, por duas vezes, as medalhas que recebeu há meia-dúzia de anos pelos serviços prestados à Pátria.
Percebo que a festa não é nacional, porque não deu nada na televisão, nem sequer municipal, porque na praça principal continua tudo muito morto (Beira Interior, estão a imaginar n’pas?). O grupo que se encontra aqui e na barbearia nem sempre se entende, nem em política, nem em futebol, mas chega a esta altura e é sempre a mesma festa.

A TV anda preocupada com o 11 de Setembro em Nova Iorque, o que me parece legítimo. Aliás, parece que no Chile as televisões também andam mais preocupadas com o 11 de Setembro de Nova Iorque do que com o 11 de Setembro de Santiago. O que me faz lembrar um filme que não sei se passou cá, chamado “01’9’’11”: Houve quatro 11 de S diferentes, no Chile, na ex-Jugoslávia, em Israel e naquele quarto de Manhattan onde renasceu uma planta.

J-I Guillotin
(nota: caso a polícia encontre o corpo do pai do barbeiro, que se orgulhava de ter combatido ao lado de Pétain e dos nazis contra a França, se o encontrarem é possível que queiram saber que a cabeça está enterrada: dois-passos-e-meio-para-a-direita-do-corpo-e-em-direcção-à-árvore. Não muito enterrada.)
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I, português 

Recebi uma indirecta, do Conselho de Administração deste blog, que andava com baixo índice de produtividade e que tinha de ter cuidado (esta parte é inventada, mas dava jeito). Acho que estou a ficar português: calei-me, concordei e baixei a cabeça. E aí vem novo post.
Claro que depois dei um chuto no cão, mandei fod*r a vizinha do 2.º esq e embebedei-me com a vitória do Benfica.

J-I Guillotin
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Quinta-feira, Setembro 09, 2004

A Comitiva 



Hoje cruzei-me com uma série de gente engessada e com muletas. Não sei a que propósito, iam saindo ao mesmo tempo do hospital. Eram quase todos mulheres, com cinquenta anos e o marido ao lado. Uma a uma, competiam na falta de jeito e no aparato. Algumas tremiam, outras sorriam, quase todas embirravam com o marido. As suas caras diziam: «Larga-me o braço que está gente a ver!» ou «Estás a olhar para onde, ó Robespierre?». Fiquei a olhar para elas algum tempo. Eram mais de vinte. E pensei: estarão a sair dos treinos?
Robespierre
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Quarta-feira, Setembro 08, 2004

Por Um Blog Limpo 



Ainda dizem mal do governo. Que é ilegítimo, fascista, retrógado. E gozam com as corvetas e os secretários de estado. Como se fosse tudo um bando de oportunistas a distribuir tachos e a namorar fanáticos. Tenham juízo. Ou emigrem. Este governo é fantástico, e a prová-lo está a preparação de uma lei que proíbe o fumo em locais públicos. Ora tomem lá, seus nauseabundos. Coragem, vanguarda, limpeza. Tudo numa só medida - que apoiamos e aplaudimos. E emulamos. A partir de agora, não se fuma no Maus Fígados. Não fuma quem escreve, não fuma quem lê. Não fumam portugueses, não fumam estrangeiros. Se veio cá parar ao acaso: Não se fuma. Não se vendem posts a quem fuma, não se lincam os fumadores. Não interessa se vem do escritório ou da esplanada. Não se fuma.
Robespierre

P.S. E quando a lei - oxalá - estiver em vigor, denunciamos toda a gente.
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Ex Officio 

Quando houver falta de assunto aqui no Maus Fígados (o que é uma raridade com gente tão produtiva como o Cardeal ou o gajo dos cadafalsos), vamos passar a usar a táctica do Abrupto e chapar uns poemas ou umas paisagens. Entretém-se assim o pagode a custo zero e dá sempre um ar de sensibilidade e erudição. É bem visto.

Cá vai então uma espreguiçadela, com os Iron Maiden.

The Number Of The Beast

I left alone my mind was blank
I needed time to think to get the memories from my mind

What did I see can I believe that what I saw
That night was real and not just fantasy

Just what I saw in my old dreams were they
Reflections of my warped mind staring back at me

Cos in my dreams it’s always there the evil face that twists my mind
And brings me to despair

The night was black was no use holding back
Cos I just had to see was someone watching me
In the mist dark figures move and twist
Was all this for real or some kind of hell
666 the number of the beast
Hell and fire was spawned to be released

Torches blazed and sacred chants were praised
As they start to cry hands held to the skyIn the night the fires burning bright
The ritual has begun satan’s work is done
666 the number of the beast
Sacrifice is going on tonight

This can’t go on I must inform the law
Can this still be real or some crazy dream
But I feel drawn towards the evil chanting hordes
They seem to mesmerise me...can’t avoid their eyes
666 the number of the beast
666 the one for you and me

I’m coming back I will return
And I’ll possess your body and I’ll make you burn
I have the fire I have the force
I have the power to make my evil take it’s course

Bom dia!

Robespierre
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Quinta-feira, Setembro 02, 2004

As Chagas do Nosso Conselho de Administração 

Porque, pelos vistos, trabalhamos pouco, o nosso Conselho de Admnistração decidiu entrar no "jogo" e logo me enviou um mail contendo um texto delicioso, lavrado em terras de (prima) Vera Cruz:

«O Homem que se Chamava Free Lolita Pictures»

«Queria escrever uma história em que um homem se chamava Free Lolita Pictures. Ele nunca conseguia usar o email, porque quando as pessoas liam o nome dele achavam que era spam. Daí Mr. Free Lolita Pictures ia para uma reunião de pessoas com o mesmo problema - onde encontrava Mr. Russian Rape Pics, Mr. Enlarge Your Penis, Mr. Enlarge Your Penis Jr., Mr. Your Girlfriend Told Me Your Dick is Too Small e Miss Nigerian Scam. Comiam bolachinhas e contavam seus problemas. Chorando, Mr. Free Lolita Pictures dizia que sua filha, a pequena Miss Free Lolita Pictures, sofria muito na escola nas mãos das meninas más; e depois dizia pensar em ir para um cartório e mudar os dois primeiros nomes da filha para Barely Legal, e tudo estaria resolvido. Mr. Russian Rape Pics, que queria ser chamado só de Mr. Pics (ou Russian para os íntimos), dizia que sempre tinha achado o nome Barely Legal a damned fine name, mas que queria trocar o nome da própria filha para Preggie Wife. Todos concordavam que Preggie Wife era um nome lindo - especialmente considerando-se que o nome da família do noivo dela era Sucking-Horses. Aí Miss Nigeriam Scam dizia, impressionada, que os Sucking-Horses eram uma família muito respeitada na Cornualha, com membros conhecidos das colunas sociais, como Lady Hot Model e Lord Bloody Faggot. No final, você sabe - aparecia um negão brasileiro chamado Oportunidade Imperdível e comia todo mundo, com madeleines.»

Este tipo de provocações são muito «benvindas».

Richelieu, Cardeal

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