Sexta-feira, Dezembro 31, 2004

Secão de latão 


A tarde de hoje, ou a noite já não sei, vai ser ocupada na televisão pública portuguesa pelo "Sequim de Ouro". Esta velha tradição da Velha Europa entedia-me profundamente e, tal como a música dos Metallica é utilizada para sessões de tortura dos presos muçulmanos de Guantanamo, eu seria um livro aberto se me apontassem um holofote à cara e pusessem o "best of" do "Sequim de Ouro" no rádio.
Quando ouço falar de "Sequim de Ouro" apetece-me puxar da arma.
E acho que os organizadores deste certame (adoro a palavra certame) deveriam ser acusados em Monsanto, ou lá onde é, juntamente com os que alegadamente pervertiam os anjinhos da Casa Pia.
J-I Guillotin
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Falam, falam 

Ontem levei uma rabecada de um dos elementos da administração deste blog (acho que agora se escreve assim, sem "ue"). Fui quase convidado a baixar as calcinhas ou a mostrar a perna na esquina se quisesse voltar a ser alguém, nem que fosse um pingo de gente, ou um pingo de líquido biliar. Como estou quase português depois destes meses por cá (o negócio de cortar cabeças não funciona aqui, pois a maior parte dos políticos gosta de pôr a cabeça no cepo e automutilar-se em seguida), fiz o que fazem os vossos compatriotas: verguei a cabeça e assenti (concordei, se não for com dois ss corrijam.
Também é certo que não tenho muito para dizer. A não ser que a administração se queixa mas há dez dias que não posta nada, o que também é perfeitamente normal por cá, pelos vistos.
J-I Guillotin
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Terça-feira, Dezembro 21, 2004

Prémios 2004 

Temo-nos furtado a estas coisas, mas a verdade é que reconhecemos a importância de atribuir uns premiozitos no final do ano. Fomos sobretudo inspirados por este blog, que com a sua imensa lista e generosidade nos dá a conhecer um pouco mais sobre o autor - o que é sempre louvável e reconfortante. Achamos óptimo ficar a saber o que as pessoas leram ou comeram, a que blogs foram, de que filmes gostaram. É fascinante esta coisa dos blogs também por isso.

Assumimos então a responsabilidade e o odor dos tempos, publicando aqui uma pequena lista de prémios que os respectivos vencedores poderão levantar junto da nossa administração. Para já, seguem apenas os prémios relativos a blogs. Se houver tempo, publicaremos ainda a lista dos melhores bazares chineses.

Prémio Finalmente um blog de jeito e escrito por um cara que vê o mundo a partir da cobertura, for all that matters

Prémio Kapital/Nova Gente

Prémio Obrigado pelos Desktop

Prémio O incompreendido

Prémio Escrever com tiques de brasileiro é giro! 'Bora aí todos fazer como eu!

Prémio Qualquer dia emigro, que esta língua irrita-me

Prémio Campo de concentração

Prémio As melhores bifanas

Prémio Sou da altura do Bush (1,80) e quase tão esperto como ele

Prémio Sapatilhas Sanjo

Finalmente, aos blogs que nos lincaram ao longo do ano,

Prémio Especial Procurem Ajuda Psiquiátrica

A todos que não foram contemplados - e que estavam à espera de ser e levam a mal ficar fora destas coisas -, um pequeno conselho: abram um bazar chinês.

Maus Fígados, S.A.
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Segunda-feira, Dezembro 20, 2004

Um conto de natal 


A época de natal é bonita. É lindo ver o rico abaixar-se até ao pobre e dar-lhe moedinha auto-indulgente; ver senhoras a pagar sopas aos indigentes num qualquer tasco; famílias num corrupio de compras, com chefes de família em actos de cavalheirismo, tipo segurar as portas para os outros passarem, dar a vez no trânsito mesmo que a prioridade seja sua, enfim...

A prova inabálavel de que o natal está mesmo entre nós foi-me dada há uns dias, aquando de mais um passeio pedestre pela capital portuguesa. Foi na Rua Arco do Carvalhão, em Campolide, onde o Marquês de Pombal (meu bom amigo, choro de saudades os nossos serões) tinha uma das suas quintas, entretanto esquartejada pelo "progresso" (que nós tanto apreciamos no Maus Fígados).

Um nonagenário, cuja carta de condução deve ter morrido há já uns meses, acompanhado pela respectiva cônjugue, senhora de fina aparência nos padrões de uma lenta decadência, tentava encostar a viatura de gama média a um dos lados da íngreme faixa de rodagem.

Em fila, cerca de quatro outras viaturas esperavam pela execução da manobra, revelando resignação ante as potencialidades do vetusto condutor, cuidando agora imaginar se os filhos que geram deles vão tratar à porta da "terceira idade". Alguns semblantes carregaram-se, parece-me (mas não quero difamar).

Um dos expectantes, o último da fila de pacientes, completava o rosto portador de bigodinho com um gorro à pai natal, parecendo disposto, pela aparente bonomia que o gorro lhe conferia, a sair do carro e ajudar o ancião.

Ninguém saiu do carro, o velho demorou como o caraças a despachar manobra tão simples e, depois de ter ultrapassado o carro já estacionado, o homem do gorro foi o único que verbalizou, pela janela e em sonoros palavrões, o inexplicável tempo de espera.

Senti-me em casa, perto do natal.

Richelieu, Cardeal
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Quinta-feira, Dezembro 16, 2004

O Último dos Homens 

Manoel de Oliveira terminou mais um filme, O Quinto Império - Ontem Como Hoje. Manoel de Oliveira há-de cá andar muito depois de nós todos e dos nossos netos. Há-de continuar a fazer filmes, obstinadamente, até que não hajam homens sobre a terra. Manoel de Oliveira é o último dos homens. Há-de enterrar-nos a todos.
Robespierre

E pelos vistos já enterrou esta Amélia.


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Bocejo 

Quando um blog está com falta de assunto (como é o caso deste) e sem vontade de falar de política ou do Santana lopes (como é o caso deste), pode sempre falar da interessante polémica surgida no Barnabé a propósito das caixas de comentários.
Robespierre
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Segunda-feira, Dezembro 13, 2004

Humor 

Um programa da RTP faz a biografia do humor em Portugal e convida personalidades como Raul Solnado, Nicolau Breyner, Nuno Artur Silva ou Almeida Santos (!).
Eu assisto à coisa com a mesma estranheza de estar vendo a História de Portugal contada por sacerdotes russos, em russo, ou a História da Lírica por jogadores do Belenenses no final do encontro com o Benfica.
Robespierre
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Trabalhar para as audiências 

Recentemente, em frenética discussão com o Conselho de Administração deste blogue, eu e o Robespierre fomos acusados de produzir uma pêva (à primeira ainda percebemos pívia e logo fomos lembrando os administradores que somos figuras históricas, que connosco trabalham o Guillotin e o Machiavelli e que já deixamos a justiça pelas próprias mãos para os mais imberbes). Desfeito o engano, acirramos os nossos argumentos perante tais caluniosas acusações. E o Robespierre, esse arguto e actualizado déspota, descobriu o argumento que deitou ao tapete os anafados gestores de consciências que nos pagam o ordenado: estes rapazes urgentes dedicam-se tanto à criatividade, burilam correntes tão giras de pensamento moderno, discorrem sobre causas e apontam soluções e desabafos, mas apenas têm uma média de 10 visitantes diários. Nós temos 15 e isso chega. Querem mais, paguem mais, ó camandros!

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Terça-feira, Dezembro 07, 2004

Também Caem 


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Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

Vou Trincar-lhes o Fígado 



Desde que saiu da incubadora, e depois de muita chapada e carolos na moleirinha, o nosso bebé continua a chorar e a ser vítima - sou uma vítima, repete, enquanto chupa o dedo grande do pé. Vai ser assim mais uns dias - acusações à família, à parteira, a todos os funcionários que o assistiram. Até ao momento em que conseguir andar - e aí, ciao Rousseau, escondam os garfos e o pau de marmeleira.
Robespierre

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# POST CENSURADO #

(ainda cá andamos, Robespierre)

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Sábado, Dezembro 04, 2004

Saímos do Pântano 

Começa a ficar interessante este país. Um parlamento ao ar (e a consequente enxurrada de eleições). Dois meses de tira-olhos entre os partidos (e sobretudo dentro deles). A perseguição ao Pintinho (e eventual guerra civil). A caça aberta ao pedófilo (em sua casa e a cores). E o fim da Quinta das Celebridades (com posterior fuzilamento dos participantes). Assim - sim, me gusta! Vou adiar por uns mesitos a emigração.
Robespierre
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Sexta-feira, Dezembro 03, 2004

Mãos à Obra 



Quem vai prosperar nos próximos tempos é o nosso Guillotin – que já nem se preocupa em justificar o vencimento no Maus Fígados. Com a trabalheira que tem, a negociar com fornecedores e a reavivar os padrões de qualidade a que a sua marca nos habituou, não lhe sobra grande tempo para nos contar. O que é uma pena. Imagino filas, adiamentos, recuos, sobrecarga de trabalho. Seria interessante dar nota desse afã. Contar, por exemplo, quantas encomendas já recebeu do Caldas e da São Caetano. Se houve pedidos do estrangeiro. Se há pormenores específicos solicitados. Haveria tanto para contar, Guillotin.

Já agora, gostava de me pôr na lista. Quando houver tempo, desenhe uma coisa simpática, discreta. Que não aflija muito a cabecinha do nosso Cardeal. Que com as suas simpatias pouco ortodoxas e o desfasamento que vem demonstrando em relação ao momento político, fiando-se talvez numa recondução de «Halilem» e restante corja, está mesmo a pôr-se a jeito.
Robespierre

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Quinta-feira, Dezembro 02, 2004

Maçonaria derruba mais um Governo  



Caro Pedro.

Desde já faço a declaração de intenções com este post que aqui colocamos: O Maus Fígados está solidário contigo neste momento de grande aflição.
É uma grande irresponsabilidade o que foi feito a partir de Belém. Mas a culpa não pode ser assacada exclusivamente a Jorge Sampaio.

Toda a Corja (em Arganil, para os ignorantes) do Grande Oriente Lusitano (GOL) é que deveria ser linchada em Praça Pública (programa da SIC, que estes tempos exigem mediatismo). São eles os responsáveis por tudo o que te tem acontecido, amigo Pedro.

São eles que misturam pequenas gaffes (como as folhas misturadas no discurso de tomada de posse) com o visionarismo escondido deste próximo Orçamento do Estado. São eles que minam a tua postura esclarecedora, o teu sentido de Estado e a tua servidão (estoica, diríamos) à causa pública.

Esta revelação que aqui fazemos (em primeira mão - jornalistas podem citar apenas se identificarem a fonte) só pode conduzir a uma conclusão: foi desferido mais um ataque à Grande Loja Regular de Portugal (GRLP), da qual, estimado Pedro, eras o mais proeminente representante (no) activo.

Sabemos bem o que vem a seguir, mas seria indelicado apontar o futuro num post que pretende só o desagravo da tua pessoa. Repito: Estamos contigo nesta luta de irmãos (e por quem detiver o poder).

Maus Fígados (relator: Richelieu, Cardeal)

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Este só pode andar a cozinhar o próximo governo, ou então o tal «coupe d'etat» de que falava o Soares... 



...É que anda tão silencioso (e paupérrimo nas suas crónicas no «Expresso»). Desde a crónica sobre as viagens de comboio Porto-Lisboa (2002 ?), que nada mais de jeito saiu daquela pena. O que dá pena. Dá luta, ó Coutinho.
(Eu próprio não deveria falar muito sobre produtividade e combate, embora já tenha lugar cativo na História)

Richelieu, Cardeal

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